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Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

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 Entrevista

  26/11/2007
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"Ética é uma questão de caráter"

Jornalista discute o conceito de ética para o profissional da área

Pauta e Reportagem: Luiza Calegari
Edição: Larissa Ayumi Sato e Beatriz Assumpção


Rogério Fischer é graduado em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), trabalhou por 14 anos na Folha de Londrina, foi correspondente da Gazeta Mercantil na cidade, escreveu em dois semanários (O Popular e Mais Londrina) e foi assessor de imprensa da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) e do time de futebol Londrina Esporte Clube. Está há três anos no Diário de Maringá, veículo no qual ocupa o cargo de editor de Economia e Geral. Fischer esteve em Londrina para um Seminário de Ética Jornalística promovido pela UNOPAR, e é sobre este tema que ele concede uma entrevista ao Conexão Ciência.

Conexão Ciência: O que é ética?
Rogério Fischer:
Como tenho muito mais relação com o mercado de trabalho do que com o ambiente acadêmico, que freqüentei apenas na graduação, minha tendência é meio que desvirtuar o real significado de ética. Para mim, a ética se aproxima muito mais do conceito de caráter. Nesses 20 anos de experiência profissional, deu para perceber a diferença da ética de discurso em relação ao comportamento prático das pessoas. Quero dizer que de nada adianta o profissional ter tirado 10 na disciplina de Ética na faculdade, ter decorado todos os itens do nosso código de ética e ter lido um catatau de livros sobre o assunto se no seu dia-a-dia ele subverte tudo isso. Pouco adianta ter um discurso afinado sobre ética se, no seu ambiente de trabalho você não praticá-la sempre, nos mínimos detalhes, seja em coisas básicas do Jornalismo como "ouvir o outro lado" ou no seu comportamento com seu colega de trabalho, com seu subordinado, com seu chefe, com seu entrevistado, seja ele rico ou pobre. Estenderia esse raciocínio até para o ambiente fora do trabalho, ou seja, suas relações com seu namorado, seus pais, seu vizinho. O que quero dizer é que, pela minha experiência, não acredito que alguém, por exemplo, que faça um ponto ilegal de tevê a cabo em casa, e se orgulhe disso, vá ser muito diferente ao exercer sua profissão.

Conciência: Existe uma ética específica para o jornalista, diferente das demais profissões? O que muda?
Rogério Fischer:
Cada profissão tem suas particularidades e, portanto, cada uma tem seu código de ética próprio. No nosso caso, que é lidar com informação, temos preceitos próprios a seguir. Devemos passar informações apuradas, verdadeiras, todas as versões possíveis de um fato, para que o leitor, o ouvinte, o telespectador possa estar suficientemente informado sobre determinado assunto e ele mesmo tirar suas conclusões. Não conheço as técnicas nem o dia-a-dia de outras profissões, mas acho que a Medicina, o Direito, a Engenharia, cada uma destas áreas deve ter especificidades. Mas acredito também haver muitos pontos comuns entre todas elas, que é justamente a maneira de você lidar com seus colegas de trabalho e com o público externo. O advogado tem seus dilemas éticos. Por exemplo: é como você constatar no noticiário em geral que um advogado deixou a defesa de uma pessoa, de um acusado, por que ele acredita que aquele acusado tem um nível de culpabilidade tamanho que ele não merece ser defendido por ele. E assim sucessivamente cada profissão deve ter seus dilemas éticos dos quais eu não conheço, eu conheço os da profissão de jornalista.

Conciência: Em sua opinião, é melhor que o jornalista seja frio, distante para ser objetivo, ou que se entregue de corpo e alma para ser profundo? Nesse caso, o que é mais ético, tentar ser imparcial ou tentar ser honesto?
Rogério Fischer:
Ser imparcial e honesto não são coisas excludentes. São coisas que podem caminhar juntas. Você pode se envolver de corpo e alma e, inclusive, fazendo isso, você resgataria um tipo de jornalismo que hoje nós não vemos mais, que é o jornalismo mais adjetivado, é o jornalismo cheio de informações, o jornalismo que traz mais ambientação. Hoje, tratamos as matérias com muito mais rapidez, com muito mais sisudez, as matérias são muito mais sisudas, são muito mais frias. Você resgatar um tipo de jornalismo em que coloca o leitor mais próximo do fato pra mim é muito melhor. E isso não tem nada a ver com a honestidade, você pode ser honesto fazendo isso também.

Conciência: O senhor acredita que noticiar violência estimula mais violência? Qual seria a alternativa?
Rogério Fischer:
Depende a forma como você faz isso, se você denunciar isso de maneira sensacionalista, talvez. Mas se você denunciar que a violência, que um tipo de criminalidade cresceu muito, demonstrar estatísticas, demonstrar em números você estará alertando a comunidade de que precisamos fazer alguma coisa para evitar que esses números aconteçam. Saindo da violência e indo para saúde pública, por exemplo, o caso da Dengue. Ontem o ministro admitiu uma epidemia de Dengue no Brasil. Ele tem que admitir isso, embora isso a priori vá contra o Ministério dele, ele precisa disso para que os números da doença baixem no país. Então, é preciso que ele revele que tem uma epidemia para que as pessoas tomem mais cuidado e não fiquem disseminando o mosquito, como fazemos comumente.

Conciência: É papel da mídia tentar resolver problemas sociais?
Rogério Fischer:
Sim, com certeza. Tanto que a mídia, antes e depois de ser mídia, nós trabalhamos em veículos de comunicação social. E veículos da comunicação social devem ou deveriam obedecer a normas da comunicação social que nós aprendemos na faculdade. Por isso, eu defendo o diploma para o exercício profissional, porque esses preceitos sociais é que a pessoa deveria aprender na academia, na universidade.

Conciência: Cumprir esse papel social é apenas noticiar? Ou o jornalista deve agir também? De que forma é possível contribuir?
Rogério Fischer:
Noticiando, discutindo, debatendo, abrindo espaço para artigos pluralizando opiniões, isso é muito importante, não ficar só na opinião dele, do dono do jornal, do articulista, do editor chefe. Enfim, colocando um assunto em debate é que essa questão social será resolvida de maneira melhor ou pior. Mais ou menos profícua.

Conciência: O jornalismo atual é mais ou menos ético do que o de há cinco, seis décadas atrás?
Rogério Fischer:
Eu prefiro o de hoje, porque os ataques dessa época a que você se refere, eram feitos sem estar substanciado. Eram feitos gratuitamente. Dessa maneira, você abre espaço para você atacar qualquer pessoa. Então, nesse caso você daria o direito ao dono do veículo, ao dono do jornal e aos jornalistas que trabalham nele de atacarem as pessoas porque você tem o veículo pra atacar, mas as outras pessoas não têm o veículo pra defender. Por isso, que é necessário um código de ética bem definido, como nós temos. Precisamos de um código de ética respeitável, definido ele já está.

Ano 4 - Edição 29 - 25/novembro/2007



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