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Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

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 Entrevista

  29/10/2007
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As memórias de uma luta

A luta pela divisão de terras no país é revelada pelo livro que conta com um acervo de documentos oriundos do Brasil e da América latina

As memórias de uma luta
Pauta e Reportagem: Lígia Zampar Bernardi
Edição: Larissa Ayumi Sato


Foi lançado no Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) o livro Memória da Luta pela Reforma Agrária no Brasil - catálogo do acervo da Associação Brasileira de Reforma Agrária no período de 1967 a 1997, organizado por Luiz Norder, doutorado em Ciências Sociais pela Wageningen University And Research Centre e professor do Departamento de Ciências Sociais da UEL e Diego Rodrigues, mestrando em Ciências Sociais da Instituição.

Conexão Ciência: Qual o objetivo do livro?
Diego Rodrigues
: O objetivo do livro é divulgar a coletânea de documentação que foi reunida pela Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA) ao longo dos anos de 1967 até 1997. Uma documentação que trata de vários temas de relevância social contemporânea, e foi fechada em 1994 e ficou três ou quatro anos circulando em algumas instituições. Quando veio para cá, resolvemos colocar novamente "em pé" para que possa ser servido de base para estudos e pesquisas.

Conexão: Por que as pesquisas pararam no ano de 1997?
Diego Rodrigues:
Houve problema administrativo na ABRA e por questões políticas foi fechada toda a documentação e até mesmo as atividades. Agora, eles estão retomando tanto a publicação da revista quanto toda essa ação e dentro desse sentido, estamos contribuindo com o material documental organizado e hoje eles estão lançando em São Paulo junto com o catálogo, o vídeo da própria organização.

Conexão: Quem doou esses documentos?
Diego Rodrigues:
Eles vieram da UNICAMP (Universidade de Campinas) doados pelo então presidente da ABRA. E quem teve uma participação efetiva para trazer essa parte documental foi o próprio professor Luiz Norder. A parte bibliográfica ficou na biblioteca da UNICAMP.

Conexão: Qual o preço do livro?
Diego Rodrigues:
Está sendo feita uma distribuição gratuita, com uma tiragem de 1000 exemplares. Estamos priorizando a distribuição em instituições de pesquisas.

Conexão: O senhor acha que está ou não ocorrendo reforma agrária no país?
Diego Rodrigues:
Como fruto de um movimento social é feito de avanços e retrocessos, teve várias conquistas ao longo dos anos e um movimento social aprende com seus próprios erros. Está longe de ser e estar no grau necessário. Acredito que ainda tem muito o que avançar, tanto em quesito de estrutura agrária nacional como também das políticas públicas e às questões de modelo de agricultura mais sustentáveis.

Conexão: E o governo tem algum projeto para incentivar e promover a reforma agrária?
Diego Rodrigues:
Todas as propostas governamentais são conhecidas pela grande imprensa. Acredito que cabe aos movimentos sociais avaliarem, e eles estão avaliando, discutindo e cobrando novos modelos, novas formas de aceitação política e novas formas de redistribuição de terras. Mas o que visamos é fruto de conquistas ao longo de uma forma de aprendizado que ainda tem muito o que mudar e o que ser alcançado.

Conexão: Em que o MST ajudou na reforma agrária?
Diego Rodrigues:
O MST vem contribuindo, dando grandes transformações e conquistas políticas no sentido de pressionar politicamente o governo e colocar em pauta nacional a questão da reforma agrária. Penso que isso é uma significativa contribuição que apesar das falhas, é um ponto crucial na democratização do país e isso já é uma contribuição do movimento.


Conexão: Além do MST, quais outros movimentos sociais que têm relevância?
Diego Rodrigues:
Têm várias facções e segmentos do MST e cada qual com sua estratégica diferenciada, mas enfim, todos com o mesmo objetivo e mesma meta.

Conexão: A reforma agrária sempre teve apoio de partidos de esquerda, agora que no poder se encontra um partido esquerdista, a luta pode ser facilitada?
Diego Rodrigues:
É complicado. Podemos analisar que não houve grandes mudanças no quadro de distribuição de terras com o próprio PT. Acho que longe disso, não há um favorecimento grande. Ressaltamos que frente a tudo isso, existe uma estrutura e embate políticos no congresso, dos quais não cabe só um emblema há anos. Há muita força política da bancada ruralista pressionado para conter a participação e a atuação da reforma agrária no país e, eu acho meio indiferente o partido que está à frente do país. Há alguns favorecimentos em questão de política de crédito, mas também é pouca coisa. Não acredito que seja de muito impacto.

Conexão: O Brasil está em que estágio da reforma?
Diego Rodrigues:
A reforma segue um trâmite. São desapropriadas terras por vários fins prescritos no Estatuto da Terra e que os assentados as adquirem em um processo burocrático. O importante é o processo de redemocratização e a tentativa de redistribuir e dividir a estrutura agrária nacional.

Conexão: Qual o jeito mais fácil de atingir a reforma?
Diego Rodrigues:
A questão não é o jeito mais fácil. Os problemas são justamente as pressões políticas e as bancadas ruralistas. Tem toda uma história de concentração de renda e de terra nacional e tudo isso, será fruto de embates e de avanços e retrocessos. Não se muda uma estrutura que vem sendo conservada há longo de tanto tempo em poucos anos. É necessário um processo de redemocratização lenta e enfim, a própria questão da reforma agrária estar em pauta na temática nacional, é de grande importância do sentido de mobilizar novos atores, novas pessoas que pressionem e colaborem com essa discussão.

Serviço
O livro pode ser encontrado na íntegra nos sites www.nead.org.br e www.uel.br/cch/cdph .

Ano 4 - Edição 25 - 28/out/07






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