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Conexão Ciência
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 Entrevista

  24/09/2007
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Mestrado em jornalismo

Mais uma porta é aberta para pesquisas no campo jornalístico

Mestrado em jornalismoPauta e reportagem: Kauana Loren Neves
Edição: Larissa Ayumi Sato


O jornalista Elias Machado Gonçalves, doutor em jornalismo pela Universidad Autonoma de Barcelona, faz parte do corpo docente do primeiro mestrado em jornalismo do Brasil, criado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Também professor da graduação, Elias Gonçalves tem experiência em Teorias do Jornalismo, Jornalismo Impresso e Jornalismo Digital. Desde 1993, é um dos líderes do grupo que estuda Jornalismo on-line na Federal da Bahia, é um dos pioneiros nessas pesquisas no Brasil. Ele participou do XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom) em que palestrou sobre a convergência jornalística e sobre os sistemas de circulação no ciberespaço. O professor conversou com o Conexão Ciência sobre a introdução desse mestrado específico na área.

Conexão Ciência: Você está participando do corpo docente do mestrado de jornalismo da UFSC. Qual o foco?

Elias Machado Gonçalves:
Nós temos como área de concentração o jornalismo, e duas linhas de pesquisa: uma delas é em fundamentos do jornalismo, que está preocupada em discutir o jornalismo do ponto de vista dos seus fundamentos, do ponto de vista da ética, das teorias do jornalismo, de como se estabelece a constituação do jornalismo, como campo epistemológico, historicamente e obviamente conjunturalmente, que pode fazer essa discussão tanto do ponto de vista do rastreamento histórico da evolução epistêmica do jornalismo, como a aplicação dessas teorias a fenômenos contemporâneos, para discutir isso do ponto de vista conceitual. E a outra linha, que é produtos de processos jornalísticos, em que nós estamos preocupados em analisar os processos e produtos jornalísticos desde um telejornal, por exemplo, ou até mesmo como se dá o processo de produção de pauta, o jornalismo entendido como processo ou como produto.

ConCiência: Foi fácil a aprovação de um mestrado tão específico na área?

Elias Gonçalves:
Não, não foi fácil por duas razões. Em primeiro lugar, porque um programa dessa natureza exige a constituição de um corpo docente qualificado para atender aos requerimentos da especificidade; então, por exemplo, uma das grandes dificuldades que Santa Catarina teve foi encontrar gente com produção suficiente para atender aos critérios de produção estabelecidos pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), com formação na área de concentração específica, porque não adianta ter titulação de doutorado, mas haveria necessidade de que tivesse a titulação de doutorado na área específica de jornalismo e produção específica na área da linha de pesquisa (correspondente ao mestrado). Isso não é fácil, então retardou muito até que se conseguisse um corpo docente com essas características. Eu mesmo era professor da Federal da Bahia, então estrategicamente eu acabei me deslocando para Santa Catarina para contribuir para constituir o número mínimo suficiente de doutores com produção sistemática numa área específica pra atender os critérios da Capes, mas todo um trabalho político teve que ser feito, seja nas agências de fomento, Capes e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), seja no ponto de vista dos representantes da área, da área de comunicação, então esse programa deveria receber o aval favorável da área, então nós fizemos todo um trabalho político de convencimento, demonstrando que nós no jornalismo, nos entendemos como um campo científico, mas nós cremos que estamos dentro das ciências da comunicação, pra nós do jornalismo existe um grande campo, uma grande área, a ciências da comunicação, uma dessas ciências é o jornalismo.

ConCiência: A iniciativa da criação do mestrado partiu de quem?

Elias Gonçalves:
A iniciativa partiu em primeiro lugar dos colegas da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), mas essa iniciativa representa uma meta acalentada, há muito tempo, por nós que somos pesquisadores de jornalismo e que fundamos a SBPJOR (Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo). A SBPJOR também nasceu como uma etapa política necessária pra legitimar o jornalismo como área científica, o que obviamente facilitou a aprovação pelas as agências como a Capes da abertura da pós-graduação. Porque nós temos uma sociedade científica, se nós fazemos ciências, nada mais natural de que nós tenhamos mestrados e doutorados em jornalismo - o mestrado é o primeiro passo, nós temos a meta estratégica de em cinco anos no máximo abrir o primeiro doutorado.

ConCiência:Esse doutorado tem já uma projeção do que ele vai abranger?

Elias Gonçalves:
As mesmas linhas de pesquisa, e poderíamos ter ampliado a partir do momento que nós tenhamos mais professores. Porque acontece é que as linhas de pesquisa refletem o conjunto de professores e suas competências num determinado momento - neste momento temos professores com produção suficiente pra estas linhas de pesquisa, mas em médio prazo, por exemplo, eu tenho todo um trabalho desenvolvido em torno do jornalismo digital, nada impede que daqui a quatro ou cinco anos mais três ou quatro professores se agreguem, articulados na área de jornalismo digital e nós reconfiguremos as linhas e nós tenhamos uma linha de jornalismo digital, nós temos um outro núcleo, de jornalismo científico, se chegar mais professores nessa área, nada impede que nós tenhamos uma linha de jornalismo digital, uma linha de jornalismo científico e que não tenhamos mais produtos e processos.

ConCiência:Mas essa limitação de professores para preencher o quadro das linhas de pesquisa é devido ao desinteresse da parte deles ou devido à falta de capacitação?

Elias Gonçalves:
Não, porque na realidade o curso acabou de ser montado e os docentes podem vir a ser contratados, isso não é um trabalho que possa ser feito sem atender as limitações inclusive dos docentes do departamento. Primeiro: tem de ter doutores. Segundo: os doutores têm de ter produção. Terceiro: a produção tem de ser na área específica. Então, o meu departamento até tem mais doutores, mas não estão na área especifica então eles não tem aderência ao curso, então não podem ser credenciados.

ConCiência:Na sua palestra no Intercom, você citou a deficiência da universidade em atender a demanda do mercado, perdendo seu papel de vanguarda em pesquisas. O mestrado pode suprir essa defasagem?

Elias Gonçalves:
Esse é o nosso objetivo, nós já nascemos com esse objetivo, eu já faço isso há um bom tempo, que é pesquisa aplicada. Meu laboratório de pesquisa, que estou montando, se chama LABJOR, laboratório de pesquisa aplicada em jornalismo digital, então a minha idéia é trabalhar em articulação com a indústria, com as empresas jornalísticas, com as agências de fomento, para desenvolver tecnologia de ponta na área de jornalismo digital, e os colegas de outras áreas, de outros grupos também têm interesse de estabelecer essa relação concreta com as empresas.

ConCiência: Mas este mestrado e futuro doutorado têm esse mesmo objetivo?

Elias Gonçalves:
A idéia é fazer isso, nós não queremos estar de costas para o futuro do mercado, nós queremos nascer articulados com o mercado, mantendo a independência da universidade e da ciência, mas possibilitando que os resultados do conhecimento científico possam ser incorporados como inovação pela indústria e pela sociedade.

ConCiência: Essas linhas de pesquisa que já estão pautadas elas vão suprir a carência do nosso setor, já que a universidade não está hoje em sintonia com o mercado?

Elias Gonçalves:
Claro, a começar pela capacitação de profissionais para atuar nesse mercado, porque nos estaremos formando profissionais especializados para atuar no jornalismo digital - isso no primeiro momento. Mas ao mesmo tempo, esses profissionais estarão fazendo pesquisas aplicadas, por exemplo, estudar novos formatos para o jornalismo digital, desenvolver novos softwares para edição em TV digital, desenvolver programas para apuração jornalística no ciberespaço, tudo isso depende de tecnologia, essa tecnologia será feita por quem? Pelos engenheiros? Não, elas terão de ser feitas com a nossa colaboração em relação com a indústria e também com os engenheiros, em grupos multidisciplinares de pesquisa.

ConCiência: A procura foi satisfatória?

Elias Gonçalves:
Claro, na primeira seleção, nós tivemos apenas 20 dias para inscrição, e tivemos 560 inscritos para 10 vagas, uma média, portanto, de 5,6 por vaga. Tivemos demanda de colegas do Peru, do Uruguai e de 12 estados brasileiros.

ConCiência: Há interesses de outras universidades em abrir mestrado na mesma área?

Elias Gonçalves:
Parece que há interesse da Mackenzie em São Paulo em abrir um mestrado em jornalismo, mas não sei concretamente, ouvi comentários, eu sei que nós somos os primeiros, já claramente aprovados e em funcionamento. Começamos as aulas em seis de agosto.

ConCiência: Sua pesquisa é em jornalismo digital, em qual linha de pesquisa ela se encaixa?

Elias Gonçalves:
Em produtos e processos jornalísticos.


Saiba Mais

De acordo com o site da UFSC*, as inscrições foram realizadas entre os dias 1 e 20 de junho. A seleção aconteceu em duas etapas, a primeira fase eliminatória - classificatória aconteceu no dia 30 do mesmo mês e foi composta por uma prova de proficiência em língua inglesa e por uma prova de conhecimento específico sobre Jornalismo. Já a segunda fase aconteceu nos dias 9 a 13 de julho e constou com a argüição, por parte da Comissão de Seleção, sobre o Anteprojeto de Pesquisa e sua possível execução. Das 10 vagas disponibilizadas, quatro são para a Linha de Pesquisa 1 (Fundamentos do Jornalismo) e seis para a Linha de Pesquisa 2 (Processos e Produtos Jornalísticos).
*http://www.ufsc.br/


Ano 4 - Edição 20 - 23/set/07



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