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Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

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 Entrevista

  12/11/2007
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Os novos paradigmas da educação

A escola se torna um espaço de compartilhamento, onde a opinião de alunos, da comunidade e dos professores são ouvidas

Os novos paradigmas da educação
Pauta e Reportagem: Pauline Almeida
Edição: Larissa Ayumi Sato


A professora Vania Carvalho de Araújo, doutora em comunicação pela Universidade de São Paulo e professora adjunta da Universidade Federal do Espírito Santo esteve em Londrina. Em sua palestra falou sobre como transformar a escola em um espaço compartilhado. Ela conversou com o Conexão Ciência e expôs os novos paradigmas da educação.

Conexão Ciência: Qual a definição de "escola como espaço compartilhado"?

Vania Carvalho de Araújo:
Pensar a escola como espaço compartilhado, primeiro é pensar na dimensão pública desse espaço. Hanna Arendt uma filósofa alemã, diz que o espaço público se constitui como público na medida em que os sujeitos são reconhecidos como válidos e dignos de participação na construção de um mundo compartilhado. Nós temos a mania de dizer "público é para todos". Mas nessa perspectiva, nós pensaremos que o governo não é público se poucas pessoas tomam as decisões e opinam. É preciso diálogo para que todos se sintam importantes no processo de decisão, de pensar juntos, de propor idéias. Uma escola que é pública e não faz a experiência de dar abertura a todos, deixa de ser pública. Ela passar a ser uma experiência privada porque as pessoas só pensam em sua individualidade.

ConCiência: Em sua palestra, a senhora diz que se perdeu o conceito de comunidade. Como se deu isso?

Vania de Araújo:
Existe um estudioso que fala que todos os vínculos que nós tínhamos com a família, com a casa, com os traços culturais foram se transformando com o tempo. Hoje, nós temos comunidades de condomínios fechados. A rua perdeu sua possibilidade de troca. A praça se transformou em praça de alimentação por causa do perigo, da violência. O conceito de comunidade considerado no passado já não é adequado para os dias atuais. Hoje, a comunidade se fechou porque existem as grades nas janelas. O prédio, por exemplo, deveria ter um sentido de coletivo, mas nós nem sabemos quem são nossos vizinhos. O que eu queria propor era uma nova significação desse conceito, pois assim há o diálogo que é necessário para transformar a escola num espaço compartilhado. O que é comunidade? É comum/unidade. Unidade entre quem? Sobretudo entre as pessoas. Mas a unidade, nesse caso, não significa mesmice, mas pressupõe a pluralidade, as diferenças entre os sujeitos, as trocas e a reciprocidade.

ConCiência: Como incluir a criança e o adolescente no processo de decisão no espaço escolar?

Vania de Araújo:
O mais importante é não dizer que o outro não é válido porque ele é criança ou adolescente. Parece que o válido é somente o adulto, porque ele tem maturidade, tem mais experiências. Mas as experiências de todos devem ser levadas em consideração. Nós trabalhamos com o conceito de "identidade relacional", pois ninguém está no mundo sozinho, a minha experiência é em companhia de outros sujeitos. No ponto de vista da escola, a forma mais simples que a escola utiliza para homogeneizar sujeitos é transformá-los em alunos. Ao invés de pensar todos como alunos, deveria pensar em como é uma turma: se ela é composta de adolescentes, de quais classes sociais, de quais etnias. Por exemplo, uma escola estava com um dilema. Não sabiam se deixavam os alunos entrarem na sala de aula de boné. É lógico que tem que deixar, pois isso é uma forma de eles estabelecerem um relacionamento, uma comunicação no contexto em que vivem. Quando eu não penso os sujeitos como alunos, mas como categorias de sujeitos diferenciados, vou chegar a conclusão que a construção dessa escola tem que ser diferente, porque ela tem que ser um momento prazeroso de permanência desse sujeito, já que tem a ver com a vida dele. Por que as paredes da escola têm que ser todas da mesma cor? Por que os uniformes têm que ter cores sem vida? Por que as cadeiras são enfileiradas? Pode ser feito um trabalho que leve em conta a experiência da criança e do adolescente vivenciada fora da escola, para a transformação desta.

ConCiência: Existem experiências em escolas, nas quais o diálogo entre alunos e coordenação modifica o espaço escolar?

Vania de Araújo:
Sim, muito poucas. Mas eu acho que nós temos que multiplicar essas experiências. Por exemplo, eu conheço uma escola do interior de São Paulo, em que as crianças e os adolescentes, quando chegam, não vão para as salas de aula. Eles têm um momento de encontro, para contar as novidades, de estabelecer um relacionamento. O horário de uso da quadra e dos espaços na hora do intervalo foi feito pelos alunos de todos os níveis de ensino. As regras da escola foram construídas a partir dos alunos.

ConCiência: Como devem ser feitas as políticas públicas para as escolas?

Vania de Araújo:
As políticas públicas estabelecem atividades para os jovens, mas não pensadas a partir deles. Está na hora de inverter esse processo. Tinha um médico que falava que há anos atendia adolescentes em seu consultório. E ele ficou chateado por conviver com uma relação fria de atendimento. Então, começou a fazer grupos de adolescentes, saiu do consultório, exerceu a profissão de outra forma, como em um debate ou um bate-papo.

ConCiência: Qual o papel da coordenação da escola para transformá-la em um espaço compartilhado?

Vania de Araújo:
Primeiro, é preciso pensar que todas as regras são para sujeitos e devem ser construídos a partir deles. Depois, pensar na escola como uma comunidade, não apenas se colocar em um patamar diferenciado. E o professor tem que parar de pensar no aluno como "meu " ou "seu", mas deve ver a todos como "nossos". A mentalidade do "esse aluno não é meu, então ele não me interessa" deve ser banida.

ConCiência: Existem educadores que discordam da escola como espaço compartilhado?

Vania de Araújo:
Sim, porque dá muito trabalho. À medida que a escola se abre, ela expõe seus limites. Ela escancara suas dificuldades e assim tem que ouvir a opinião de todos. Muitos acham melhor fazer a sua parte e não dar satisfação a ninguém. Mas isso é a morte da escola porque não vai haver trocas culturais. A escola deve ser espaço de ensinar e aprender.

ConCiência: Como devem funcionar os conselhos escolares?

Vania de Araújo:
Os conselhos devem ter representação de todos: dos alunos, dos pais e da escola. Geralmente nos conselhos não existe a participação dos alunos.

ConCiência: É muito importante a participação dos alunos no processo de decisão. Antigamente, os grêmios faziam esse papel, por que eles desapareceram?

Vania de Araújo:
É o próprio processo de despolitização da vida social. Parece que os grêmios só eram importantes na época da ditadura, quando existia algo explícito por se lutar. Onde estão nossos ideais? Nós precisamos significar a escola como um espaço de participação política. E a política, aqui, deve ser entendida como aquilo que possibilita o diálogo e a mudança. É interessante levar a criança, desde a educação infantil, a buscar uma representação. O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que a criança tem o direito de contestar os esquemas de avaliação da escola e isso deve acontecer, mas não porque está escrito na lei, mas porque enquanto sujeitos políticos elas têm que ser ouvidas. Só assim podemos falar de grêmios estudantis e gestão democrática na escola.

Ano 4 - Edição 27 - 11nov07



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