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Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

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 Entrevista
  20/06/2010
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Projeto analisa a inclusão de deficientes visuais na prática esportiva
As aulas escolares de Educação Física com
presença de deficientes visuais são tema de
pesquisa da UEL
Projeto analisa a inclusão de deficientes visuais na prática esportiva
Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Paola Moraes


O processo de inclusão de alunos portadores de qualquer deficiência no ensino regular, público e
privado, incentivado pelo Governo Federal há alguns anos despertou a atenção do professor
universitário com interesse no ensino especial. O professor Nilton Munhoz Gomes, formado em
Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Educação do
Portador de Deficiência Mental (UEL), mestre em Educação Especial pela Universidade Federal de
São Carlos (UFSCAR) e doutor em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP), desenvolve desde 2008, um projeto de pesquisa que visa a inclusão de crianças de 1ª
a 8ª séries com deficiências visuais nas aulas de Educação Física. O doutor explicou, em entrevista
ao Conexão Ciência, como funciona o projeto, o que se obteve até agora e quais são as
expectativas para a continuidade do estudo.

Conexão Ciência: Como funciona o projeto?
Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes:
Primeiramente, nós estamos estudando no projeto, a
inclusão do aluno com deficiência visual na escola regular. No ano passado, trabalhamos com
alunos de primeira a quarta serie e este ano estamos com alunos de quinta à oitava series, até
verificar a diferença na idade quanto à aceitação desse aluno com deficiência visual. O trabalho é
dividido em quatro vertentes: a observação das aulas de Educação Física, como o professor se vê
para preparar uma boa aula para esse aluno, como o aluno se percebe nas aulas de Educação
Física e com o aluno sem deficiência encara essa inclusão. A intenção é que depois disso,
venhamos a trabalhar com outros tipos de deficiência, como a mental, auditiva e física. Então seria
um estudo de como está acontecendo esse processo de aceitação do aluno deficiente em escola
pública.


Conexão Ciência: Ao ir para as escolas, vocês detectaram a presença de materiais adequados
ou uso de metodologia de ensino direcionada a esses alunos?
Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes:
Considerando que a Educação Física possui apenas um
espaço especifico para as aulas, que é a quadra, nós não teríamos esse material. Mas em
conversas informais com professores que trabalham com alunos com deficiência visual, nós
percebemos que alguns têm uma preocupação maior em fazer adaptações a esses alunos. O
professor que possui um aluno com baixa visão ou cego tem algumas preocupações em sua aula
sobre como ajudar o aluno. Por exemplo: utilizando pneus pintados com cores fortes para que o
aluno com baixa visão consiga diferenciar o objeto. Muitos professores fazem pequenas
adaptações dentro de suas condições: utilizando a ajuda de outro aluno, envolvendo a bola com
uma sacola plástica para que o aluno se situe pela audição. Por outro lado, há professores que
deixam o aluno fazendo trabalhos teóricos ou assistindo a aula.


Conexão Ciência: Os professores de Educação Física se sentem desqualificados para lidar
com alunos portadores de deficiência?
Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes:
A maioria deles aponta alguns problemas, como a falta de
capacitação, que é o mais evidente. Muitos se formaram há muito tempo e não tiveram uma
disciplina que abrangesse esse tema ou não tiveram oportunidades de participar de cursos nessa
área. Um lado bom é que poucos docentes têm preconceito com esse aluno. Muitos têm uma pré-
disposição. Ou seja, se for ofertado um curso, se ele tem interesse, se ele possui um aluno
especial, ele se preocupa em trazê-lo ao convívio com os demais.


Conexão Ciência: Hoje, há uma disciplina voltada a esse estudo dentro do curso de Educação
Física?
Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes:
No curso de Licenciatura em Educação Física da UEL, há
uma disciplina semestral e outra anual que trabalham com questões da educação especial.
Primeiro, é realizado um estudo dos conceitos e pré-conceitos dessas deficiências, depois, estuda-
se a inclusão desses alunos. Além disso, há um estágio obrigatório em educação especial, no qual
o aluno pode escolher com qual tipo de deficiência ele trabalhará.


Conexão Ciência: Como o aluno com deficiência visual se sente ao ser incluído?
Profº Dr. Nilton Munhoz Gomes:
Se o aluno tem uma boa aceitação de sua condição, ele
consegue ser incluído mais facilmente. Os alunos super-protegidos ou com sentimentos de auto-
piedade não são incluídos tranquilamente. Nós percebemos que os alunos de 1ª a 4ª séries são
mais receptivos, chegando até mesmo a discutir sobre quem vai auxiliar o outro amiguinho na aula.
Já nos alunos de 5ª a 8ª séries, nós imaginamos, pois ainda não analisamos esses alunos, que
seja mais difícil de ocorrer essas aceitação, porque os demais alunos são competitivos e tendem a
deixar o aluno com deficiência de lado nas aulas com desportos.




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