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Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

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 Entrevista

  07/06/2008
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Projeto da UEL avalia os efeitos da globalização no cotidiano escolar

Conheça os rumos da educação e como os professores devem se adaptar ao processo da globalização em níveis regionais, nacionais e internacionais

Projeto da UEL avalia os efeitos da globalização no cotidiano escolar
Pauta e Edição: Vitor Oshiro
Reportagem:Renata dos Santos


O projeto "Educação a partir dos anos 90 " O Cotidiano Escolar no Contexto da Globalização" teve início com a apresentação da tese de doutorado da professora Martha Aparecida Santana Marcondes, em Políticas Educativas, pela Universidade do Minho, em Portugal. Como a professora mesmo menciona está pesquisa é um "braço" de um estudo internacional, proposto pelo Instituto Paulo Freire de Los Angeles, que analisa a influência da globalização em dezesseis países. Na versão brasileira o título do estudo é "Globalização e Educação". Em entrevista ao Conexão Ciência, a doutora Martha Marcondes explicou o seu objeto de estudo.

Conexão Ciência: Qual o objetivo principal do projeto?
Martha Aparecida Santana Marcondes : Como a gente trabalha com a formação de professores, é evidente que nós temos que adequar a formação a esse contexto globalizador que está havendo. Não adianta nada os professores ficarem distantes deste contexto social e atual, pois quando forem atuar nas escolas perceberão que não dominam as questões cotidianas.

Conexão Ciência: Durante o projeto ocorre a comparação sobre a influência da globalização nos diversos estados brasileiros e com a de outros países. Como ela é feita?
Martha Marcondes : Dependendo da região, no nosso próprio país, ocorre uma influência maior ou menor, por conta dos meios de comunicação de massa. Quanto mais a informação chega, com maior agilidade, mais influência a globalização exerce na formação da população. Quanto mais tecnologia, mais o processo de globalização influencia. Na educação, os alunos, os professores, os estudantes também sofrem com isso. Então, compara-se a região. Os países que pertencem à pesquisa, também são países diferenciados, como Portugal, Espanha, Estados Unidos. Essa comparação vai sair nos textos, nos trabalhos elaborados, ainda estamos nesse processo.

Conexão Ciência: Na prática, o que mudou na relação professor- aluno com o processo de globalização?
Martha Marcondes : Vou tratar de um assunto delicado, mas a violência escolar, a gente atribui um pouquinho a esse excesso da mídia, ao excesso de interferência desse contexto que não é tão próximo do aluno. A família pode estar educando, acompanhando, mas a influência externa exerce uma forte pressão na criança. Nós detectamos em alguns questionamentos a interferência no nível de agressividade. Outra influência é a escrita. Hoje, vários alunos escrevem e lêem línguas estrangeiras e a língua"mãe está se perdendo. Pelo fato de lerem outras linguagens, a linguagem da internet, isso muda as características da forma de ensinar e de alfabetizar: ler, escrever e interpretar. Hoje, o aluno tem que interpretar de diferentes formas.

Conexão Ciência: Houve algum benefício? Algo que tenha sido acrescentado?
Martha Marcondes : Sim. As ciências. Eu penso que a globalização aumenta a distância entre o mais rico e o mais pobre, mas a ciência evoluiu grandemente com os aspectos tecnológicos e globalizantes. A globalização está em todos os momentos, em todos os aspectos da vida cotidiana.

Conexão Ciência: A educação interdisciplinar é um aspecto da globalização?
Martha Marcondes : Há uma teoria denominada "Sistema Mundo", que são políticas globalizantes onde os países centrais exercem dominação sobre os periféricos. E existe também uma agenda global para a educação, que procura homogeneizar os métodos de ensino e os sistemas educacionais. Um exemplo é que tudo o que se aplica à educação na Espanha, estamos copiando e aplicando ao nosso sistema. Nessa homogeneização, os aspectos, os currículos diferentes, o processo de Bolonha (o encurtamento do prazo da graduação e das especializações), claro que tudo isso influencia na teoria do ensino e da aprendizagem.

Conexão Ciência: E quanto à chamada educação tecnicista?
Martha Marcondes : Na década de 70, o ensino tecnicista era muito forte. Hoje, há uma tendência muito forte de resgatar essa técnica, mas dizem que de uma forma mais humanizadora. Então, temos a técnica unida à formação do homem, esse é o discurso que está havendo. Enquanto na década de 70 se formava para o mercado de trabalho diretamente, hoje, o homem produz porque o mercado precisa, mas ele não é uma peça que só coloca parafuso. Ele é formado com uma visão de homem, de mundo e de contextualização. Dizem que o ensino técnico que está voltando é direcionado também à humanização do homem. Vamos ver no que vai dar.

Conexão Ciência: Para finalizar, gostaria que a senhora explicasse qual a metodologia adotada no projeto e se há algum plano para ele.
Martha Marcondes : Aplicamos questionários no Brasil inteiro. A parte regional foca em toda a cidade de Londrina. Vamos tabular os dados, porque o projeto finaliza no início de 2009. E percebemos que a globalização influencia imensamente nos níveis educacionais, principalmente no ensino superior. Então, nós trabalhamos com a baixa intensidade e com a alta intensidade. A globalização influencia com maior intensidade no ensino superior, por conta de tudo o que estamos vendo.

A pesquisa é de cunho expiatório e pretende apreender os impactos da globalização nos ensinos fundamental (segundo segmento, de 5ª/6ª à 8ª/9ªsérie), envolvendo alunos, professores e gestores de escolas públicas e privadas, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina.
Segundo o resumo do próprio projeto, a subdivisão nacional tem autonomia para o desenvolvimento de suas pesquisas, que devem interagir internacionalmente, por meio de equipes multidisciplinares. Em Londrina, o projeto envolve os Departamentos de Educação, Filosofia e Estatística Aplicada e o Instituto Paulo Freire, sob a responsabilidade de seus pesquisadores.
Legenda da Foto: Renata dos Santos

Ano 5 - Edição 41 -07/06/2008



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