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Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

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 Entrevista

  13/05/2007
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Raio-X da economia do Paraná

Professores da UEL reúnem textos para estudar economia do estado

Raio-X da economia do Paraná
Pauta e reportagem: Pedro Conte
Edição: Larissa Ayumi Sato


Professora da Universidade Estadual de Londrina - UEL há mais de 20 anos, mestra em Economia Rural pela Universidade Federal de Viçosa e doutora em Economia Aplicada pela Universidade de São Paulo - USP, Rossana Lott Rodrigues, em parceria com Antonio Carlos Moretto (também professor da UEL e doutor em Economia Aplicada pela USP), organizou um conjunto de artigos que deu origem ao livro Economia Paranaense: diagnóstico e dinâmica recentes.

A publicação traz textos dedicados a traçar o perfil econômico do estado, assinados, em sua maioria, por professores do departamento de economia da UEL. Trata-se de uma importante base de dados para estudo em áreas que vão desde a estrutura do produção paranaense até o perfil do trabalhador do estado.

Conexão Ciência: Como surgiu o projeto do livro?
Rossana Lott Rodrigues
: O livro é uma tentativa de reunir os trabalhos dos professores do departamento. Nós já temos uma série de trabalhos interessantes, divulgados inclusive, e eu quis fazer um material diferente que possa ser usado com os alunos da economia rural, da economia da indústria etc. São mais ou menos 5 anos de pesquisas e estudos, uma coletânea de artigos sobre os diversos aspectos da economia paranaense. Foram editados 500 exemplares e nós estamos vendendo bem. Temos bastante pedidos de outras universidades, embora tenhamos doado para algumas bibliotecas. Os professores que ficam sabendo pedem para usar como material de apoio em sala de aula.

ConCiência: Quais são os principais setores da economia paranaense e da região de Londrina?
Rossana Rodrigues:
Ainda não existem estudos para Londrina, especificamente, mas nota-se uma vocação da cidade para o setor de serviços, além de um crescimento importante da indústria e do setor de desenvolvimento de software, nos últimos anos. Já no Paraná, depende muito do ano, porque a importância dos setores muda de acordo com o crescimento do mercado ou incentivos do governo. Tradicionalmente, a agricultura é um setor forte no Paraná e, juntamente com a agricultura, a agroindústria, que tem se mostrado bastante progressista com a participação de cooperativas. O setor de abate de animais, especialmente aves, o açúcar, a produção de suco. Um crescimento significante das indústrias automobilísticas também foi notado, a partir da política de atração do (ex-governador) Jaime Lerner nos anos 1990. A composição setorial da economia paranaense mudou bastante ao longo dos últimos trinta anos. Ela se tornou mais diversificada. A agricultura perdeu um pouco da sua posição inicial hegemônica e a química cresceu bastante, assim como a indústria gráfica, de papel e de celulose.

ConCiência: O Paraná ainda é um estado rural?
Rossana Rodrigues:
Sim, embora a população não esteja mais no meio rural. Mas ainda é um estado muito forte no agronegócio, nos setores relacionados com a agricultura, antes e depois " os setores que ofertam produtos para a agricultura, como máquinas, e os setores que demandam produtos da agricultura, respectivamente.

ConCiência: Como foi a política do ex-governador Jaime Lerner para a atração de indústrias?
Rossana Rodrigues:
- Ele criou uma série de facilidades, como a doação de terrenos e isenção de impostos. Isto atraiu as indústrias, de fato. Só que a atração inicial não deu os resultados esperados, no sentido de geração de emprego ou renda. Muito do que foi implantado no início foi levado embora pelas multinacionais e, como parte da mão de obra destas indústrias é muito qualificada, muito já veio de fora. O impacto que poderia ter ocorrido em termos de emprego, se esta mão de obra fosse demandada do mercado paranaense, não houve. A propagação da geração de empregos foi maior do que de fato ocorreu. Mas fica um saldo positivo. Hoje o Paraná tem uma indústria automobilística comparada aos padrões internacionais.

ConCiência: Em que é melhor investir: em setores-chave, que movimentam mais a economia, ou em setores menores, para diversificar a indústria do estado?
Rossana Rodrigues:
Nós consideramos setores-chave, os setores que tanto demandam quanto ofertam em larga escala. A agricultura, por exemplo, tem um índice de ligação para frente muito grande. Isto é, ela é uma grande ofertante de matérias primas para outras indústrias. Praticamente tudo sai da agricultura na indústria alimentar, para ser processado nas indústrias. Além disso, a agricultura também é um setor muito demandado. É o que chamamos de setor-chave no Paraná. É importante balancear os investimentos entre estes setores mais robustos e, ao mesmo tempo, também diversificar a produção, para não depender somente de uma fatia do mercado.

ConCiência: Em que se investe mais no Paraná hoje?
Rossana Rodrigues:
Com certeza a agroindústria está recebendo grandes investimentos e aí cabe citar as cooperativas como grandes investidores. Mas eu não tenho como responder isso com base em nenhum trabalho, pois não temos os dados de 2007 ainda. O IBGE não estima as matrizes econômicas estaduais, somente a do Brasil. Portanto, todo trabalho de coleta de dados tem que ser realizado pelos pesquisadores. Hoje, temos somente os dados até 2005. 2006 está quase pronto.

ConCiência: Um dos artigos apresenta o Paraná como um estado rico, mas de renda mal distribuída. Por que isso acontece?
Rossana Rodrigues:
A economia do Paraná se dá muito em torno de Curitiba. Há uma grande reivindicação dos paranaenses para que se interiorizem as políticas e este crescimento se dê alem da região da capital. Não que as outras regiões não estejam crescendo, mas há uma possibilidade de crescimento maior se isto for direcionado.

ConCiência: O interior tem infra-estrutura para absorver este crescimento?
Rossana Rodrigues:
Tem sim. E também, se não tiver, tem que criar esta infra-estrutura. Não se pode esperar que tudo esteja pronto para começar alguma coisa. A necessidade nos faz caminhar atrás do que é preciso. Londrina, por exemplo, tem um pólo industrial e está precisando de muitos investimentos, mas está tentando superar uma série de deficiências. Estas coisas que precisam para a implantação de industrias podem vir junto com as indústrias, se houver iniciativa do município ou do estado.

Serviço:
Título:
" Economia Paranaense: diagnóstico e dinâmica recentes "
Editora: Eduel
Preço: R$25,00

Ano 4 - Edição 7 - 13/maio/2007






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