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Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

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 Entrevista

  28/06/2008
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Saiba como confiar nas informações da Internet

A professora de Ciência da Informação Maria Inês Tomaél dá algumas dicas que podem ajudar os usuários identificar fontes de qualidade na web

Saiba como confiar nas informações da InternetPauta e Edição: Vitor Oshiro
Reportagem: Bruna Komarchesqui



A Internet surgiu em 1969, durante a Guerra Fria, com objetivos militares. Aos poucos seu uso foi se expandindo até chegar à popularização completa, no final da década de 90. Com a proliferação maciça de sites ficou cada vez mais difícil ao usuário comum distinguir o que é informação de qualidade e o que não pode ser aproveitado. O projeto "Identificação, análise e seleção de fontes de informação na Internet", do Departamento de Ciência da Informação da UEL, teve como objetivo definir alguns critérios que ajudassem a determinar a confiabilidade de fontes de informação na Internet. A coordenadora foi a professora Maria Inês Tomaél, graduada em Biblioteconomia pela Universidade Estadual e Londrina (UEL) e doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Concluído em 2002, o projeto deu origem ao livro "Avaliação de fontes de informação na Internet", lançado em 2004. Segundo a professora, o livro foi muito bem aceito no país todo por ser o primeiro texto da América Latina a tratar do assunto. O livro está esgotado, mas a segunda edição deve sair em outubro ou novembro deste ano.


Conexão Ciência: Quais são os critérios para determinar a qualidade de uma fonte de informação na Internet?
Maria Inês Toamél: São muitos critérios, desde autoridade, que é a autoria, ou o responsável pela fonte. Então: "Quem escreveu?", "Esta pessoa tem alguma credibilidade naquele assunto?" Ou ainda, em termos de autoridade: "A fonte está disponível onde? Num site de uma universidade, num site de um instituto de pesquisa ou num site comercial?". Então nós julgamos que, quando a informação está no site de uma universidade ou de um instituto de pesquisa, provavelmente é de um pesquisador, e já tem maior credibilidade.

Conexão Ciência: Comparando o cenário atual com o final da década de 90 (quando começou o projeto) houve alguma melhora? A informação de qualidade já é mais identificável?
Maria Inês Toamél: Melhorou porque agora temos fontes características, de maior credibilidade. Um exemplo que todo mundo conhece é o Google Acadêmico. Antes, tinha ferramentas como o Google, que procurava direto e geral. Agora, o Google Acadêmico procura informações que estão em artigos, em repositórios*, ou seja, fontes com maior credibilidade. Uma outra iniciativa são os repositórios de informação e as bibliotecas digitais, que, naquela época, não existiam. Uma evolução muito importante também são os próprios periódicos eletrônicos, que antes eram muito poucos. Agora quase todos os periódicos se tornaram eletrônicos. Então, a produção científica está disponível na Internet. Uma grande parte é de acesso livre, outras não e ainda precisam de assinatura. Mas de qualquer forma isso evoluiu muito. Ainda tem muito lixo na Internet, mas já é mais fácil identificar o que não é lixo.

Conexão Ciência: Qual a importância da Internet como fonte de pesquisa?
Maria Inês Toamél: Sabendo usar, ela é de extrema importância. Não é toda informação que se pode usar indiscriminadamente, tem que ver a origem, a fonte. E algumas pessoas fazem mau uso das boas informações que se encontram na Internet, infringindo o direito autoral. Desde o Ensino Fundamental e Médio até o Mestrado e Doutorado é comum vermos pessoas que copiam e colam e assumem como seu, sem citar páginas, parágrafos ou até fontes inteiras que estão disponíveis na Internet. Nós temos que começar um novo trabalho nesse sentido, que é o de estimular a responsabilidade de cada um. Possibilitar que as pessoas usem a informação, mas não peguem para si sem citar fonte.
Mas a Internet é importantíssima, porque qualquer coisa que você tenha dúvida, de uma forma ou de outra ela responde. Pode não ser a melhor resposta. Pode ter um livro mais adequado, muito mais aprofundado na biblioteca, ou um artigo que eu não tenho acesso porque não tenho assinatura, ou pode existir uma outra fonte que não esteja na Internet com a resposta mais adequada, mas, pelo menos uma resposta rápida e imediata, com certeza, nós encontramos. É uma fonte que veio para ficar e, cada vez mais, vai crescer e fazer parte da nossa vida.

Conexão Ciência: É possível fazer uma boa pesquisa só pela Internet ou ainda é necessário combiná-la com os livros?
Maria Inês Toamél: Dependendo do tema, é possível, porque tem muitos periódicos bons na Internet. O próprio portal da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que nós temos acesso aqui na UEL, tem periódicos do mundo inteiro, e são periódicos de com grande impacto e credibilidade. Têm periódicos nacionais bons de universidades, de programas de pós-graduação - mestrado, doutorado - disponíveis. Dependendo do assunto, é possível sim. Mas têm temas que nós vamos precisar do livro. Algumas áreas, por exemplo, precisam dos manuais, daquele item básico, e isso nós vamos encontrar resposta com credibilidade nos livros, que estão nas bibliotecas. Ainda é interessante unir as duas coisas.

Conexão Ciência: Qual a principal contribuição da Internet para o campo da pesquisa?
Maria Inês Toamél: Facilitou o acesso à informação. Nós estamos fazendo uma pesquisa agora e entrevistamos 28 pesquisadores do Paraná inteiro. E nós perguntávamos para eles: "Você usa a biblioteca?" E todos disseram: "Muito menos do que dois ou três anos atrás. E, dois ou três anos atrás, muito menos que há cinco ou dez anos." Porque na minha sala, da minha mesa, eu tenho acesso ao portal da CAPES, que é a porta de entrada para os periódicos do mundo inteiro (os periódicos que o portal assina, é claro, não todos). Isso facilitou muito a vida do pesquisador. Ele deixou de ir tanto à biblioteca. Antes, quando ele precisava de um artigo, ele tinha que consultar a coleção da biblioteca. Hoje em dia, a maioria dos artigos ele consegue na própria Internet, da sala dele. Então, facilitou muito, muito, muito. Claro que eles continuam indo à biblioteca, continuam indicando a biblioteca para os seus alunos, porque os livros-texto estão lá e vão subsistir por muito e muito tempo ainda, não sei até quando, mas vão.

Conexão Ciência: As bibliotecas físicas tiveram que se adequar de alguma forma depois da Internet?
Maria Inês Toamél: O bibliotecário teve que adequar um pouquinho sua atuação. Agir mais ofertando e mostrando oportunidades para o usuário, do que propriamente entregando as fontes, porque o próprio pesquisador vai atrás delas hoje em dia. A incumbência do bibliotecário é maior agora, porque ele tem a responsabilidade de direcionar, de mostrar, educar esse pesquisador para encontrar as próprias fontes. E além de ser um mediador, uma das funções que o bibliotecário vai ter que assumir é de organizar a informação na web, isso se ele ainda não assumiu. Ele terá que criar mecanismos para disponibilizar a informação pelos caminhos certos e possibilitar que o pesquisador ou o usuário, por meio de ferramentas que o bibliotecário disponibiliza, chegue à informação mais rápido.

Conexão Ciência: Existe lado negativo para o uso da Internet como fonte de pesquisa?
Maria Inês Toamél: Existe, porque os pesquisadores menos experientes pegam qualquer coisa. Acham, por exemplo, que a wikipedia** vai resolver todos os problemas do mundo. É uma iniciativa ótima, mas é uma enciclopédia que não tem tanta credibilidade assim, porque as informações ali disponíveis não são avaliadas por especialistas. Toda a informação que está disponível na Internet, que não passou por uma avaliação de conteúdo, pode não ser boa. De uma forma ou de outra, ela não tem credibilidade. A wikipedia é uma fonte, como muitas outras, que não tem credibilidade porque qualquer um pode ir lá e colocar qualquer informação. E se eu não me atentar a isso, eu posso ser o usuário de uma informação que não é correta. Esse é o lado negativo.

Conexão Ciência: Para finalizar, gostaria que a senhora explicasse como o usuário comum pode fazer para não cair em informações erradas?
Maria Inês Toamél: Tem uma série de critérios e indicadores que ajudam as pessoas a encontrarem melhor a informação. Mas uma dica simples e comum é aquela de, por exemplo, se eu quero uma informação para fazer um trabalho, eu vou usar o Google Acadêmico, vou colocar o máximo de palavras possível pertinentes ao meu tema. Encontrei o que eu queria? Onde está disponível? Está aliado a algum periódico? Esse periódico é de alguma universidade? Então, é essa a relação que tem que ser feita pra ver se a informação é de qualidade. É só tomar esse cuidado que está tudo certo.

Glossário:
*Repositório de informação: espaço na Internet em que se armazena toda a informação - desde produção científica, informação científica, até atas de reuniões, documentos, processos e relatórios - de uma universidade ou de várias universidades. A UEL ainda não conta com um repositório de informação, mas, segundo Maria Inês Tomaél, já existem trabalhos com o objetivo de implantar um em breve.
**wikipedia: é uma enciclopédia virtual, multilíngüe e livre. Criada em janeiro de 2001, baseia-se no sistema wiki (do havaiano wiki-wiki= rápido, veloz). A wikipedia é uma rede de páginas contendo informações que podem ser ampliadas e modificadas por qualquer pessoa do mundo que tenha acesso à Internet.

Serviço:
Livro: "Avaliação de fontes de informação na Internet". Maria Inês Toamél e Marta Lígia Pomim Valentim (Orgs.). Londrina: Eduel, 2004.

Para consultar periódicos científicos, teses, dissertações e outras publicações acadêmicas gratuitas, acesse o Portal da CAPES: www.periodicos.capes.gov.br

Crédito da imagem: Bruna Komarchesqui

Ano 5 - Edição 44 -28/06/2008



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