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 Entrevista

  15/06/2008
  7 comentário(s)


Transplante de pele: uma nova esperança para queimados em Londrina

Médico do Hospital Universitário, responsável pelo primeiro transplante, explica como é realizado o procedimento, suas dificuldades e resultados

Transplante de pele: uma nova esperança para queimados em Londrina
Pauta e Edição: Beatriz Assumpção
Reportagem: Luiz Humberto Carlomagno


O Doutor Leandro Luiz Toledo, formado em medicina pela Unesp de Botucatu, especializado em cirurgia geral pela Santa Casa de São Paulo e em cirurgia plástica pelo Hospital Brigadeiro, também de São Paulo, foi o responsável pelo primeiro transplante de pele feito em Londrina. A cirurgia, realizada no dia 25 de abril, no Hospital Universitário teve como paciente o menino Davi de Melo Viana que tinha 47% do corpo queimado. Essa cirurgia só é realizada em casos extremos em que a queimadura dificilmente apresentaria uma melhora rápida, ou até mesmo não melhoraria sem o procedimento. O Hospital Universitário oferece o tratamento gratuitamente, pelo SUS, e conta com a ajuda do Banco de Pele de Porto Alegre.

Conexão Ciência: Como é um transplante de pele?
Dr. Leandro Luiz Toledo:
O transplante de pele é um pouco diferente de outros transplantes. Ele não é um transplante definitivo, quando utilizada pele de doador, no caso, cadáveres. Inicialmente tem uma durabilidade de duas a três semanas, não mais que isso. Esse transplante com pele doada tem como objetivo fazer com que o paciente tenha uma melhora clínica. Com a cobertura da pele queimada pela do próprio paciente, essa definitiva, ou pela de doador (cadáveres), ela promove uma integração e o paciente apresenta uma melhora do ponto de vista clínico, nutricional e infeccioso, já que a perca de proteínas e nutrientes causada pela queimadura deixa de acontecer. Com isso ganhamos tempo para que a pele do paciente retirada para o transplante definitivo se recupere para que possamos fazer outros transplantes nos locais antes cobertos com pele de doador. A cobertura da área queimada é gradativa.

ConCiência: Como é retirada a pele do paciente para o transplante? Ela é retirada de qualquer parte do corpo ou há alguma área específica?
Dr. Leandro Luiz Toledo:
Retiramos pequenas camadas da pele para fazer o enxerto. A área de onde é retirada fica como se tivesse sofrido um ralado já que o retirado é uma camada fina, isso propicia uma rápida reconstituição da pele e no máximo em duas semanas já podemos retirar a pele do mesmo local para um novo transplante. Quanto ao local, essa pele pode ser quase que de qualquer parte do corpo, mas damos preferência pela retirada das coxas, dos braços, do abdômen e das costas, pela facilidade da retirada. Não é possível apenas a usar a pele das mãos e da face.

ConCiência: Foi divulgado que no transplante realizado, 10% da pele utilizada foi do próprio paciente, esse é o máximo que se pode retirar?
Dr. Leandro Luiz Toledo:
É muito variável. Toda a cobertura cutânea para ser definitiva tem de vir do próprio paciente, mas a partir do momento em que se tem mais de 50% de área queimada, temos um déficit de área para a doação. Supondo que o paciente possua 60% de área queimada, ele tem só 40% de pele íntegra, então, mesmo que se tirasse toda a pele íntegra do paciente, esta não cobriria toda a área necessitada. Além disso, como já dito, há algumas áreas do corpo que não conseguimos retirar pele. Por isso o uso de pele de cadáveres. É claro que o melhor seria poder fazer um transplante de pele apenas com a do próprio paciente, já que essa é definitiva, mas quando a pele que pode ser utilizada não é o suficiente para cobrir toda a área queimada, optamos pela de cadáver (doador) para pelo menos manter essa área coberta pelo tempo necessário para que se posse retirar mais pele do paciente.

ConCiência: Foi dito anteriormente que o transplante de doador leva no máximo 30 dias para cair, porque isso acontece?
Dr. Leandro Luiz Toledo:
A partir desse período começa a haver rejeição. Essa pele não sofre uma rejeição imediata porque o paciente queimado é extremamente imunossuprimido, ou seja, tem uma resistência muito baixa, causada pela própria queimadura. A queimadura causa um grau avançado de imunossupressão, por isso na fase inicial o enxerto é aceito normalmente, mas após o período de duas a três semanas o paciente passa a ter uma melhora clínica por conta do transplante e, conseqüentemente, uma melhora imunológica, o que leva à rejeição e a queda da pele de cadáveres enxertada.

ConCiência: Qual o critério para a doação? Pessoas vivas também podem doar?
Dr. Leandro Luiz Toledo:
O critério para a escolha é o fato de o paciente ser um doador de órgãos ou não. Se ele for, a pele entra como um dos órgãos a ser doado. Pessoas vivas até poderiam doar, mas é uma situação meio complicada. Claro que nada impede que uma mãe doe para um filho, há casos relatados, mas não é muito comum.

ConCiência: Existem apenas dois bancos de pele no Brasil, o de Porto Alegre, usado no transplante realizado por você, e o de São Paulo. Com isso, a oferta não se restringe?
Dr. Leandro Luiz Toledo:
É pouco, mas supre razoavelmente a demanda. Não há a necessidade de um banco em cada centro de tratamento de queimados. O banco de pele de Porto Alegre informou há dias que, se necessário podemos contar com pele vinda de lá. Mas, o uso de pele de doadores não é indiscriminado, é apenas para queimados com uma média de 50% de área queimada, ou mais.

ConCiência: Qual o tempo de recuperação total?
Dr. Leandro Luiz Toledo:
Para um paciente com uma queimadura grande, como o menino do transplante, varia para aproximadamente três meses. Do ponto de vista de cobertura de pele a recuperação é total, mas esses pacientes, na maioria das vezes, desenvolvem algumas seqüelas. A principal delas é estética. O paciente queimado leva para o resto da vida o estigma das queimaduras, já que é nítido, ao olhar para a pele, que esta não é natural. Além disso, ele fica com cicatrizes e a qualidade da pele enxertada nunca é igual a natural, ela é mais sensível e menos elástica.

Crédito da imagem:
Luiz Humberto Carlomagno



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