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Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

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 Entrevista

  21/10/2007
  1 comentário(s)


Vasectomia: uma boa opção para o planejamento familiar

Por ser mais simples e mais barata que a laqueadura, a esterilização masculina aumenta anualmente no país

Vasectomia: uma boa opção para o planejamento familiar Pauta e Reportagem: Vivian Fukushima
Edição: Larissa Ayumi Sato e Pauline Almeida



De acordo com o Ministério da Saúde, o número de vasectomias vem aumentando cada vez mais no Brasil. Para o governo, o aumento é resultado da Portaria nº 1.319/07, que autorizou a realização da vasectomia em ambulatórios ou hospitais-dia, sem necessidade de internação.

Em 2006, o SUS realizou 21.917 vasectomias com internação. A expectativa do Ministério da Saúde é de que o número de vasectomias realizadas no Brasil dobre no período de um ano.

O doutor Horácio Alvarenga , professor de medicina da UEL, mestre em Medicina e Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Londrina e médico efetivo do Hospital Evangélico de Londrina, conversou com o Conexão Ciência para esclarecer algumas dúvidas freqüentes sobre essa cirurgia.



Conexão Ciência:O que é e como é feita a vasectomia?
Horácio Alvarenga: A vasectomia é uma cirurgia para esterilização do homem. É uma cirurgia relativamente simples na qual se faz uma pequena incisão na bolsa escrotal. O ducto deferente , que é o canal que leva os espermatozóides desde os testículos até a região da próstata é isolado.Então, esse canal é seccionado e amarrado ,pois só seccionar ele tem uma tendência a recanalizar.


Conexão Ciência:Mas é uma cirurgia permanente, ou não?
Horácio Alvarenga: A vasectomia é realizada como uma cirurgia definitiva.Todos os cuidados são feitos para que ela não seja reversível.Existe um estudo que diz que uma em cada duas mil vasectomias pode , eventualmente , recanalizar de forma espontânea. Por isso, o ideal é fazer a cirurgia, e depois de dois meses, ou 25 ejaculações, voltar ao médico para checar se a cirurgia foi realizada com sucesso. Se realmente zerar, ou seja, não existir mais nenhum espermatozóide, a probabilidade de se recanalizar é zero, quase que impossível. Mas quase, porque em medicina não podemos falar que nada é impossível.


Conexão Ciência: Quais as vantagens dessa cirurgia?
Horácio Alvarenga: Vantagem é uma expressão muito difícil, já que de certa forma foi feito uma cirurgia que interrompeu o canal natural do organismo. Mas eu diria que uma vantagem seria o planejamento familiar. A vasectomia vai permitir que o casal deixe de usar anticoncepcional, preservativos. Eles vão ter uma liberdade sexual muito maior, sem os efeitos colaterais que os anticoncepcionais trazem a muitas mulheres, por exemplo. Essa seria uma vantagem, mas de qualquer modo não deixa de ser uma agressão ao organismo.


Conexão Ciência:E quais as implicações da vasectomia?
Horácio Alvarenga: Eu vejo como o maior problema da vasectomia a instabilidade conjugal que hoje é muito comum. O indivíduo está casado, tem uma família, mas amanhã ou depois ele se separa, em seguida constitui uma nova família e a tendência desse novo relacionamento é que se tenha o fruto. Essa é, na maioria das vezes, uma tendência natural. E se o indivíduo fez a vasectomia, ele terá muita dificuldade para ter esse filho, já que a dificuldade de se reconstruir o canal é muito grande. A cirurgia pode ser revertida, mas nem sempre se consegue de volta a fertilidade já que o organismo cria anticorpos contra esses espermatozóides. Claro que hoje em dia, a medicina tem muitos recursos, como a fertilização in vitro, mas o indivíduo que fez a vasectomia voltar a ter filho de forma natural é bastante difícil. Outra implicação seria o fato de, mesmo sendo uma cirurgia pequena, não deixa de ser uma cirurgia. Então você corre o risco de ter todas as complicações que pode ocorrer numa cirurgia, como por exemplo, sangramento, infecção, ou até um acidente anestésico, mesmo sendo anestesia local.


Conexão Ciência:A cirurgia interfere no desejo ou na potencia sexual masculina?
Horácio Alvarenga: De maneira nenhuma. Na vida sexual do homem não há alterações. Ele vai ter o mesmo desejo sexual e mesmo desempenho, nem pior , nem melhor. O líquido na ejaculação é preservado, só não tem os espermatozóides. Quando o homem ejacula, cerca de 75 a 85 por cento do volume ejaculado é representado por secreção da próstata e vesículas seminais, que são as glândulas do aparelho reprodutor responsáveis pela produção desse líquido que tem como finalidade nutrir os espermatozóides. Então só 10 a 15 por cento do que é ejaculado, é representado pelos espermatozóides. Ou seja, na hora da ejaculação ele não vai sentir diferença no volume do líquido ejaculado.


Conexão Ciência:Após a cirurgia, em quantos dias é possível voltar a ter relação sexual?
Horácio Alvarenga: Normalmente nós pedimos uma semana de repouso, e depois de se retirar os pontos é liberada a relação. Mas ainda com a camisinha ou um método anticoncepcional qualquer, pois tem espermatozóides que ainda estão sendo eliminados .Eu já tive casos de casais que engravidaram nesse período de latência, ou seja, entre a cirurgia e o zerar os espermatozóides, que demora de dois meses a 25 ejaculações.


Conexão Ciência: O que acontece com os espermatozóides após a vasectomia?
Horácio Alvarenga: Eles ficam retidos no testículo, mais especificamente no epidídimo, que é a região de armazenamento dos espermatozóides e, com o tempo, com o aumento de pressão nos testículos, ele para de produzir os espermatozóides que são absorvidos pelo organismo.


Conexão Ciência:é uma cirurgia dolorosa?
Horácio Alvarenga: É uma cirurgia que eu sempre comparo a ir ao dentista. Ou seja, até tomar a anestesia ainda sente uma agulhadinha, mas nada além disso. É uma cirurgia superficial, muito tranqüila.


Conexão Ciência:Existe algum outro método, além do tradicional, para se fazer a vasectomia?
Horácio Alvarenga: Existe o método chinês, que a única diferença é que não há incisão. Ao invés de duas pequenas incisões laterais no escroto, faz-se uma abordagem central com punção e alargamento da pele ao invés das incisões. Internamente o procedimento é idêntico.


Conexão Ciência:Quem pode fazer a vasectomia?
Horácio Alvarenga: Hoje existe uma normatização do próprio Ministério da Saúde que recomenda que a vasectomia seja feita em indivíduos que tenha pelo menos dois filhos e acima de 25 anos de idade.


Conexão Ciência:O número de vasectomias vem aumentando no país. A que se deve esse aumento?
Horácio Alvarenga: Principalmente a conscientizarão e a desmistificação do método já que é um método muito menos agressivo que a laqueadura na mulher. A laqueadura, para se ter uma idéia, é necessário uma anestesia geral e uma laparoscopia, ou seja, é preciso entrar dentro da barriga da mulher com equipamentos para fazer a cirurgia. A vasectomia não, ela é superficial. Trabalha-se apenas na bolsa escrotal, com anestesia local. Então se for analisar em termos de dimensão e de riscos da cirurgia, a vasectomia tem muito menos riscos do que a laqueadura. Para uma anestesia geral é preciso de pelo menos um dia de internação para fazer a laqueadura, já a vasectomia se faz com anestesia local e de forma ambulatorial. O homem vem faz a cirurgia e vai embora imediatamente.
E também tem o problema do custo de vida hoje ser muito alto, então para um planejamento familiar uma boa opção é a vasectomia.



Conexão Ciência:Qual a faixa etária que mais procura a cirurgia?
Horácio Alvarenga: Normalmente entre os 30 e 40 anos de idade.


Conexão Ciência:A vasectomia aumenta a chance de câncer de próstata?
Horácio Alvarenga: Não, não existe essa relação. No passado se discutiu muito isso , mas hoje há estudos mostrando que não aumenta o índice de câncer de próstata.


Ano 4 - Edição 24 - 21/out/07



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