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Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

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 Entrevista

  27/08/2007
  3 comentário(s)


Viticultura Paranaense

Pesquisador do IAPAR fala um pouco a respeito do cultivo de uvas no Paraná

Viticultura ParanaenseReportagem: Soraia Barros
Pauta e Edição: Larissa Ayumi Sato


No final do mês de junho, o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) comemorou seus 35 anos com o lançamento do livro Viticultura Tropical: o sistema de produção do Paraná. O livro, que apresenta uma síntese sistematizada de novas tecnologias no cultivo da uva, reúne o trabalho de mais de 20 pesquisadores que focam desde aspectos econômicos até as relações dos fatores climáticos no seu plantio.

Seus editores são Sérgio Ruffo Roberto, doutor em Agronomia (Produção Vegetal) pela Universidade Estadual Paulista, especialista em Viticultura e Enologia pela Universidad de Cádiz, Espanha e professor da Universidade Estadual de Londrina; Antônio Kischino (já falecido) e Sérgio Luiz Colucci de Carvalho, pesquisadores do IAPAR. Em entrevista ao Conexão Ciência, Sérgio Carvalho, que é doutor em Fenologia de Plantas pela Universidade de Reading, na Inglaterra, dá um panorama sobre o cultivo de uvas no Paraná.

Conexão Ciência: Por que escrever um livro sobre viticultura?

Sérgio Carvalho:
Bom, era uma paixão do Kischino. A família dele era tradicional produtora de uva em São Paulo, e ele quando começou a trabalhar como pesquisador já se direcionou para essa área. Ele vislumbrou. Além de ser uma fruta muito saborosa, muito apreciada, de valor de mercado alto, com potencial de crescimento, ele achou que isso trazia muitas riquezas para o Paraná. Então, ele aprofundou estudos da uva.

Conciência: Como começou a viticultura no Paraná?

Sérgio Carvalho:
Muito provavelmente, os colonizadores trouxeram a uva e essa foi cultivada em fundo de quintal, até que se estabeleceu o comércio e essas coisas naturais ao desenvolvimento. E a uva foi uma das frutas pioneiras na fruticultura paranaense. Existem regiões tradicionais no cultivo de uva no Paraná, a região de Colombo, a região de Campo Largo " uma região mais ao sul que produz uvas viníferas. Mais recentemente, nos últimos quarenta anos, com a colônia japonesa, a cultura da uva de mesa se estabeleceu nas regiões ao norte.


Conciência: Qual seria a relevância econômica do cultivo da uva para o Paraná, atualmente?

Sérgio Carvalho:
Em um estado tradicionalmente produtor de grãos como o Paraná, a fruticultura não tem uma expressão tão alta como em outras regiões, como no nordeste ou no Estado de São Paulo, hoje. No entanto, a fruticultura a cada ano ocupa espaços maiores. A viticultura é uma das culturas que mais prospera e que mais traz rentabilidade por área, ou seja, é muito adaptada a pequena propriedade. Um hectare de uva pode render muito mais que uma cultura de grãos. Sendo assim ele se presta para agricultura familiar, pequena propriedade, para formar um empresário agrícola, manter ele no campo, enfim, além do aspecto econômico você tem um aspecto social relevante.

Conciência: Por que a sua produção não é predominante? Afinal, o Paraná teria condições de ter uma produção...

Sérgio Carvalho:
Significativa! É significativa hoje. O desenvolvimento de uma atividade no setor primário não depende só de boa vontade, depende de políticas corretas de desenvolvimento. Quer um exemplo típico? A citricultura era proibida no estado do Paraná, por causa de uma doença chamada Cancro Cítrico. A partir do ano de 1977, o IAPAR começou a estudar o convívio com essa doença e buscar tecnologia capaz de permitir o cultivo dos cítricos no Paraná. Hoje nós estamos com a instalação da quarta indústria, é uma realidade, porque houve, no meio do caminho, depois dos resultados alcançados, vontade política e interesse político de que o Paraná fosse um produtor de cítricos. Hoje, além de estarmos exportando o produto suco de laranja ou a própria laranja fruta, nós estamos exportando tecnologia no cultivo de laranjas em áreas anteriormente interditadas. Então esse mesmo exemplo caberia para uva. Hoje existe interesse do governo em retomar antigos parreirais na região sul do estado. Colombo, Campo Largo, Ponta Grossa que outrora foram grandes produtores e tiveram essa cultura dizimada por uma praga de solo, praticamente.

Conciência: Quais são os tipos de uva mais cultivados no Paraná?

Sérgio Carvalho:
Vamos dividir o estado do Paraná em duas partes: Na região norte, que é mais quente e está em torno do paralelo dos 23,5 º e acima dele, estão as uvas finas: Itália e Rubi são os carros chefes. Mais ao sul, são as uvas mais rústicas como a Isabel, Niágara, Bordout ou Tercit que são usadas para vinhos de colônia, sucos. Então, essa é a diferença que existe. Mas o estado inteirinho, com raríssimas exceções, tem condição para produzir a uva.

Conciência: A qual mercado o cultivo da uva do Paraná atende?

Sérgio Carvalho:
A uva fina o grande mercado é São Paulo, que é o grande entreposto. Então, a produção de uva vai abastecer o mercado de frutas de mesa de São Paulo, Rio de Janeiro e a própria Curitiba e regiões ao Sul. Daí, tem o mercado regional que é de menor expressão. E a uva rústica tem sofrido vinificação forma os vinhos de colônia, o qual o mercado é muito grande. Nós temos italianos, alemães, poloneses e um pouco de ucranianos, todos consumidores de vinho. Então, esse vinho de colônia é muito apreciado. E as vinícolas têm obtido resultado bastante satisfatório com a produção de vinho. Serve também pra suco é consumido em uma escala razoável como uva de mesa.

Conciência: Quais seriam as principais questões abordadas no Viticultura Tropical: o sistema de produção do Paraná?

Sérgio Carvalho:
Todas as questões relacionadas à uva no Paraná, desde aspectos econômicos até o final da cadeia produtiva. Passa pela botânica da uva, passa pelas exigências nutricionais, por adubação, pó doenças, práticas culturais, até a comercialização da uva. Tudo isso é abordado no livro. Toda a cadeia produtiva é vista aí.

Conciência: Quais os estudos publicados no livro que trazem novidades para o cultivo da uva?

Sérgio Carvalho:
Bom, aqui há um apanhado de novas tecnologias ou recomendações de tecnologias validadas para o Paraná. Vou citar apenas uma delas que foi o estudo de uma praga de solo que ataca as raízes em desenvolvimento nos pomares. Então, o IAPAR e o Kischino, inclusive, estudou bastante e tinha já estudado alguns porta-enxertos tolerantes que permitiam o cultivo. Outro exemplo é que o Paraná e o IAPAR são pioneiros na produção de uvas fora de época. A uva, em condições tropicais, pode vegetar continuamente - não existe frio suficiente para interromper o crescimento. Se a gente trabalhar isso tecnicamente com podas e estímulos de crescimento nós podemos fazer mais de uma safra por ano. Em algumas regiões do Brasil chega a mais de duas safras por ano de uma mesma planta.

Conciência: E quais seriam esses estímulos de crescimento?

Sérgio Carvalho:
Aqui nas nossas condições, a poda e estímulo a brotação através de produtos químicos.

Conciência: Esses produtos químicos seriam o Dormex, por exemplo?

Sérgio Carvalho:
Sim, o Dormex. Que hoje é um produto perigoso, é um produto que " eu não comprovei " mas eu li que ele pode ser cancerígeno. No entanto, ele é usado em dosagens muito pequenas e uma vez só. Então, é alguma coisa que comparativamente com outros produtos você verá que não tem tanto problema assim. Mas já existem alguns estudos da homeopatia, estudos de produtos alternativos que podem num futuro próximo trazer algum substitutivo para o Dormex. Em outras regiões, como na região do Vale do São Francisco, onde a seca é marcante (são pomares irrigados), corta"se a produção de água, a planta entra em dormência, poda"se a planta e através de estímulos de crescimento ela volta a crescer. Como ela tem um acúmulo de calor maior que o nosso, ela tem um ciclo às vezes mais curto.

Conciência: O senhor acredita que o aquecimento do clima pode representar alguma alteração na produção da uva?

Sérgio Carvalho:
A uva é tão versátil. Ela produz de regiões extremamente frias como na Patagônia até regiões equatoriais como o Vale do São Francisco " que é praticamente equatorial " que eu acredito que ela vai se adaptar a esse tipo de mudança. Não quero dizer com isso, que esse tipo de mudança não vá afetar. A geografia da uva pode mudar um pouquinho.

Conciência: E o que mudaria na geografia da uva?

Sérgio Carvalho:
Por exemplo, variedades diferentes pra cada uma dessas regiões. Haveria uma migração e uma acomodação dessas variedades e formas de cultivo.

Fonte da Foto: www.gelafruit.it/vendita-frutta-di-gela.php

Ano 4 - Edição 17 - 26/ago/2007





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