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 Estante

  22/06/2008
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Acontecimentos do ano de 68 são lembrados na comemoração de seus 40 anos

Palestra mostra os impactos da cultura daquela época na sociedade contemporânea

Acontecimentos do ano de 68 são lembrados na comemoração de seus 40 anosPauta e Edição: Pauline Almeida
Reportagem: Camilla Artilha


Período marcado pelo combate ao racismo pelos Panteras Negras e o movimento contra a guerra do Vietnã nos Estados Unidos; a ocupação da Universidade de Oxford e da London School of Economics por estudantes ingleses; a greve de operários italianos e a tomada das principais universidades do país; a invasão da Universidade Autônoma do México (UNAM) pelo exército para reprimir a movimentação estudantil; a contestação da burocracia stalinista na Primavera de Praga, na Tchecoslováquia; e " o mais significativo acontecimento " o Maio Francês. O ano de 1968 foi uma explosão que inaugurou uma revolução cultural.
A profunda transformação na conduta da juventude deu-se pelo questionamento das normas de comportamento da sociedade burguesa. Mulheres encurtaram as saias na proporção inversa em que os homens deixaram crescer os cabelos; a pílula anticoncepcional mudaram o padrão das relações sexuais; as drogas foram cada vez mais associadas à rebeldia juvenil. As artes nos anos 60 foram efervescentes: no Brasil, figuraram Chico Buarque e Caetano Veloso e, em 1968, surgiu a Tropicália; Glauber Rocha no Cinema Novo surgiu com obras como Terra em Transe; Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri revolucionaram a dramaturgia na forma e no conteúdo. Em nível mundial, Jimi Hendrix, Beatles, Rollings Stones, Bob Dylan e The Doors davam o tom na produção musical; Jean-Luc Godard e a Nouvelle Vague foram acompanhados pelos italianos Pier Paolo Pasolini, Bernado Bertolucci e Michelangelo Antonioni, que buscavam novas linguagens cinematográficas.

Entre os eventos para estudar as influências de maio de 68 na sociedade contemporânea, esteve o seminário "Reflexões sobre maio de 1968: seus impactos nas Ciências Sociais 40 anos depois", organizado pelo Grupo de Estudos de política da América Latina (GEPAL) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) no dia 29 de maio. Exposto pelo Professor Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Siqueira Ridenti, a palestra tratou das afinidades entre artistas e militantes brasileiros de esquerda em 1968 e das diversas vias por que elas ocorreram.

Em meados de 1960, o Brasil viveu um período de florescimento em que cultura e política estavam intimamente relacionadas. "Sonhava-se com a revolução brasileira, que acabaria com o subdesenvolvimento e redimiria o país de suas desigualdades seculares, associando artistas e intelectuais com a população simples, em um projeto novo de nação livre do imperialismo e do limite do próprio capitalismo", afirma Ridenti. O crítico literário Roberto Schwarz afirmou em um famoso artigo de 1969 que havia, na época, uma relativa hegemonia cultural de esquerda na sociedade brasileira.

Alguns artistas do período, como Hélio Oiticica " artista plástico neoconcreto que rompeu com o conceito de obra de arte para ela ter uma relação direta com o público " difundiam o pensamento de que arte e vida deveriam se confundir.** Glauber Rocha partilhava desta idéia e seu filme Terra em Transe termina com a morte do personagem Paulo Martins, jornalista e poeta. Portando uma metralhadora, na luta contra a ditadura de Eldorado, disse que sua morte provaria o "triunfo da beleza e da justiça". "O personagem é característico da estetização da política que marcou a época, em paralelo à politização da estética. Ao mesmo tempo em que muitas obras de arte eram indissociáveis da situação política, o ato político de resistir tendia a perder o sentido de meio para atingir fins, tornando-se quase um valor em si mesmo, belo e justo, independentemente de seus resultados práticos", diz o palestrante.

"Embora o diálogo entre contracultura e tropicalismo tenha sido grande, os movimentos não se confundiram. Dois grandes campos dividiam os artistas opositores ao governo em 68: os nacionalistas buscavam usar uma linguagem autenticamente brasileira na luta pela afirmação de uma identidade nacional-popular, enquanto os vanguardistas " liderados pelo movimento tropicalista " criticavam o nacional-popular e acusava-o de vulgarizar a linguagem para entrar em sintonia com as vanguardas européias e norte-americanas; havia disputa entre eles para saber quem era de fato revolucionário", explica Ridenti. Em contrapartida, havia um elemento novo e decisivo no engajamento típico de 1968: a consolidação da indústria cultural. "Surgiu um segmento de mercado ávido por produtos culturais de contestação à ditadura: livros, canções, peças de teatro, revistas, jornais, filmes. De modo que o sentimento da brasilidade revolucionária, anti-mercantil e questionador da alienação, encontrava grande aceitação no mercado e muitos artistas e intelectuais de oposição consagraram-se no período. Assim, apesar das divergências e das rivalidades, os artistas dos diversos campos viriam de um lado a sofrer perseguições, censura a suas obras e até mesmo prisão e exílio, mas por outro lado encontravam empregos e boas perspectivas de inserção na indústria cultural que era incentivada pelo governo", afirma Ridenti.

Como legados daquele período, restaram as obras produzidas na fase mais criativa da cultura e da política recentes brasileiras de artistas diversos como Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Tom Zé, Glauber Rocha, Cacá Diegues, Ferreira Gullar, Antonio Callado, Augusto Boal, José Celso Martinez Corrêa, Helio Oiticica, Lygia Clark e mais centenas de outros não são compreensíveis fora de sua experiência inusitada nos anos 1960. Restaram também "a herança do inconformismo e a aposta na inventividade; apesar de todos os reveses, segue a esperança de que "um outro mundo é possível", sem se conformar com a integração supostamente inevitável à nova ordem mundial", conclui o palestrante.

**Fonte:www.mac.usp.br/projetos/seculoxx/modulo3/neoconcreto/oiticica/index.html

Créditos da foto:www.ufmg.br
Legenda: O pesquisador Marcelo Ridenti

Ano 5 - Edição 43 -22/06/2008



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