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 Estante

  29/03/2008
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Hepatite C: uma doença silenciosa

O tipo mais grave da hepatite aflige milhares de pessoas

Edição: Pauline Frank de Almeida
Pauta e Reportagem: Kauana Loren Neves


A Organização Mundial de Saúde classifica a hepatite C entre as cinco maiores causas de mortalidade. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, é a doença infecciosa que tem o maior aumento da taxa de mortalidade, 30,6% em média ao ano. A contaminação com o vírus da hepatite C é um problema que atinge entre 170 e 200 milhões de pessoas no mundo todo, isso quem afirma é o médico, especialista em Gastroenterologia Clínica e Nutrição, pela Universidade José do Rosário Vellano, de Alfenas, Rodrigo José Polonio. A principal forma de contágio, explica o médico, é o contato direto com sangue ou derivados dele, como o plasma e plaquetas, contaminados. São várias as circunstâncias de risco para que a infecção ocorra, entre elas estão: o compartilhamento de utensílios de drogas, inaláveis ou injetáveis; a realização de tatuagens ou piercings; pessoas que fazem hemodiálise ou que trabalham com saúde; manicures; e principalmente pessoas que fizeram transfusões sanguíneas antes de 1993, já que nesse período não havia o exame em que se detecta o vírus da hepatite C. Outros casos, como na relação sexual ou durante a gestação representam menos de 5% das ocorrências. "São raros, mas podem acontecer", afirma Polonio.

O médico explica que a partir do momento da contaminação, a pessoa demora alguns dias para sentir os sintomas - dor de cabeça, náusea, dor no corpo, febre, dores na juntas e eles são inespecíficos, isto é, não caracterizam a doença, são semelhantes a um quadro gripal. Ele relata que a icterícia, o ficar amarelo, único sintoma relacionado com a doença, aparece na fase inicial que pode durar até seis meses, mas em apenas 20% das pessoas. Nos outros casos a contaminação pode passar despercebida. É dentro desse período que a cura espontânea pode acontecer. A permanência do vírus além desse tempo passa a ser identificado como um caso de hepatite viral crônica C que é o mais comum de acontecer, em torno de 85% dos infectados, detalha o especialista.

O maior perigo está na progressão lenta e silenciosa da doença quando não tratada, relata Polonio. O indivíduo que não ingere bebida alcoólica, não tem co-infecção com HIV ou hepatite B, ou seja, não tem nada que afete o fígado, do momento da contaminação até a cirrose demora de 20 a 30 anos. Caso contrário, esse tempo encurta, completa o hepatologista. Ele define os principais efeitos da cirrose: água na barriga - aumento do abdome por acúmulo de líquidos; hemorragia digestiva, encefalopatia hepática - confusão mental causado pelo mau funcionamento do fígado, quando ele não destrói algumas substâncias que acabam indo para circulação, porém é reversível. O médico ainda explica que o estágio mais avançado pode gerar um tumor de fígado, mas as chances disso acontecer giram em torno de 4% ou 5% ao ano. Manifestações extra-hepáticas, que atingem outros órgãos, como o rim - pela liberação de determinadas substâncias - doenças dermatológicas, doenças renais, leucemia, entre outras, só aparecem em menos de 5% dos casos.

Para Rodrigo Polonio, no Brasil, entre dois e três milhões de pessoas estão contaminadas, a maioria descobre em exames de rotina a presença do vírus em seu corpo. O tratamento é todo financiado pelo Estado. A pessoa procura o laboratório, realiza alguns exames, como a biópsia de fígado para saber o estágio da inflamação, depois passa por uma triagem médica, nutricional, psicológica e de enfermagem, recebe orientações sobre a medicação e seus efeitos colaterais e, por último, assina um termo de consentimento, explica ele. Além disso, tem de se enquadrar dentro do protocolo do Ministério da Saúde, no qual seu histórico é entregue na farmácia do hospital, passa por um médico auditor e ele libera a medicação para o paciente.

O médico classifica a possibilidade de cura entre 50% e 60%, às vezes até 80%, dependendo do grau da doença do fígado, do tipo de vírus e do conjunto genético deste (seu genótipo, que são os subtípus de vírus e variam de 1 a 6). Caso não haja cura, os medicamentos podem estabilizar ou regredir a inflamação do órgão, explica o médico. Ele expõe o perfil dos pacientes que tendem a responder melhor ao tratamento: quem não bebe, pessoas de cor branca, quando o vírus não tem genótipo um, não cirróticos, pacientes com menores níveis de TGO e TGP " enzimas do fígado que indicam inflamação-, quem não tem co-infecção com HIV e hepatite B e mulheres - não se sabe o porquê. Já doenças como a diabete dificultam a cura. Rodrigo Polonio também cita alguns efeitos colaterais da medicação, como fadiga, perda de peso, insônia, febre, dor, redução do número das células do sangue (plaquetas, neutrófilos e hemácias), irritação e depressão. Eles variam de acordo com o paciente, em alguns aparecem apenas nas primeiras doses da injeção Interferon - medicamento usado para anular a taxa viral, em outros permanecem durante todo o tratamento.
Os exames de contagem viral indicam o sucesso ou não da medicação. Em alguns casos, relata o hepatologista, a taxa de vírus é notificada como negativa, mas a doença acaba voltando, isso porque, quando o número de vírus fica abaixo dos 50, o exame não consegue mais detectar a sua presença. Polonio trabalha, hoje, na Universidade Paulista (Unesp) de Botucatu e já atendeu cerca de 350 pacientes com esse problema.

Mais informações: www.hepato.com.br



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