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Conexão Ciência
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 Estante

  05/05/2008
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Infecção hospitalar é estudada no Hospital Veterinário

Pesquisa leva a melhora no tratamento de infecções em animais domésticos.

Infecção hospitalar é estudada no Hospital Veterinário Pauta e Edição: Beatriz Assumpção
Reportagem: Luiz Humberto Carlomagno


Ataques e brigas entre animais são normais e acontecem freqüentemente, mas o tratamento das feridas causadas na maioria das vezes é longo e sujeito a complicações. A professora e médica veterinária Mônica Vicky Bahr Arias, formada em medicina veterinária pela Universidade Estadual de Londrina, com doutorado em cirurgia pela Universidade de São Paulo, é a responsável pelo projeto "Detecção e prevenção de infecção hospitalar no centro cirúrgico de pequenos animais do Hospital Veterinário da UEL", que estudou o índice de infecção hospitalar bacteriana em aproximadamente 190 animais internados e submetidos a procedimentos cirúrgicos ou não cirúrgicos e em casos de feridas traumáticas em, aproximadamente, 40 animais.

Conexão Ciência: No que constitui o projeto essencialmente?
Mônica Arias:
O projeto visa detectar infecção hospitalar em pacientes cirúrgicos. Tratamos animais de proprietários que são trazidos para consulta no Hospital Veterinário da UEL, para cirurgias eletivas, por exemplo, castração, para tratamento de ferimentos, fraturas e problemas de coluna. Esses animais são submetidos à cirurgia e depois são devolvidos para seus proprietários com as orientações para continuar o tratamento. Nos retornos ou nos casos de animais que ficaram internados por causa de doenças que requerem tratamento intensivo realizamos a busca ativa de sinais que indiquem uma infecção ou contaminação hospitalar. Além disso, esses animais podem possuir uma imunodeficiência que favorece a instalação de alguma infecção.

ConCiência: Quais os tipos de infecção mais comuns?
Mônica Arias:
As mais comuns são as que acontecem em feridas traumáticas que, apesar do tratamento, acabam apresentando retardo na cicatrização e há o início de secreções purulentas que impedem a melhora do ferimento. Normalmente, isso ocorre pela presença de bactérias resistentes aos antibióticos utilizados. A bactéria mais comumente detectada aqui é a Pseudomonas sp, seguido pela Proteus sp. Estes agentes provavelmente foram transmitidos pelas mordidas dos animais agressores, mas como sobrevivem bem em meio hospitalar deve-se realizar medidas de prevenção para evitar sua disseminação a outros pacientes internados com outras afecções.

ConCiência: Quais os animais mais susceptíveis a elas e quais os possíveis fatores dessa susceptibilidade?
Mônica Arias:
No setor em que trabalho só atendemos cães e gatos e ambos estão sujeitos a infecções. Mas como temos um número de cães maior esta espécie é mais acometida em grande parte devido a brigas e atropelamentos. O fator determinante para a ocorrência de infecção normalmente é o tamanho e o grau da lesão, além da idade do animal, quanto mais velho menor sua imunidade. Feridas pequenas tendem a cicatrizar rapidamente. O maior número de infecções acontece também em animais com traumas extensos, nesses casos, maior é a possibilidade de uma contaminação.

ConCiência: Quais os procedimentos adotados para poder evitar a contaminação?
Mônica Arias:
Os responsáveis pelo tratamento e realização dos curativos são orientados para que a seqüência do tratamento seja do animal com o ferimento menos contaminado para o mais contaminado, justamente para que não haja a transmissão pelo contato físico. Além disso, é obrigatória a higienização por parte dos responsáveis pelo tratamento, como a lavagem das mãos, sempre antes do contato com o animal. Todo o material utilizado, como gazes, faixas, seringas é descartado como lixo hospitalar, as compressas e panos de campo vão para a lavanderia e posteriormente são esterilizados em autoclaves. Há também a necessidade do uso racional de antibióticos, pois o uso indiscriminado acaba selecionando as bactérias mais resistentes.

ConCiência: E qual o critério utilizado para o uso dos antibióticos?
Mônica Arias:
Inicialmente escolhe-se um antibiótico de acordo com a causa da doença. Quando notamos que a ferida não está cicatrizando da maneira esperada, havendo, por exemplo, o surgimento de uma secreção purulenta ou essa secreção mudou de cor, ficou mais espessa, fazemos a coleta do material e mandamos para o laboratório para a realização da cultura para detectar qual a bactéria e a partir daí utilizar o antibiótico mais adequado para o tratamento.

ConCiência: Qual a metodologia utilizada na pesquisa?
Mônica Arias:
A metodologia, na verdade, é a busca ativa dos casos. Não ficamos coletando em todos os animais, só daqueles que demonstram clinicamente que a cicatrização ou a evolução do quadro clinico não aconteceu conforme o previsto. Temos uma ficha da pesquisa, além do prontuário, preenchida com todos os dados do animal, como tempo de cirurgia, causa do ferimento, antibióticos utilizados, além dos dados anteriores à entrada do animal no hospital. É muito comum o proprietário medicar o animal por conta própria, e esses medicamentos podem ser imunossupressores. Os dados contidos na ficha são analisados posteriormente, para a pesquisa.

ConCiência: A infecção hospitalar tem impacto nos aspectos sócio-econômicos?
Mônica Arias:
A partir do momento que há uma infecção isso aumenta o tempo de internamento, o que leva a um aumento nos gastos, já que o próprio proprietário deve arcar com as despesas do animal internado. Além disso, pode ocorrer o óbito dependendo da resistência da bactéria instalada no animal.

Crédito da Imagem: Luiz Humberto Carlomagno



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