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Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

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 Estante

  22/06/2008
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O que a menopausa acarreta na vida de uma mulher

Ginecologista explica os sintomas mais comuns e como se dá a terapia de reposição hormonal

O que a menopausa acarreta na vida de uma mulherPauta e Edição: Pauline Almeida
Reportagem: Ligia Zampar Bernardi


A mulher passa por alterações hormonais que marcam as fases da sua vida. O período em que seu organismo se prepara para se passar do período fértil para o não fértil é o climatério, no qual as taxas dos hormônios progesterona e estrógeno diminuem. A menopausa é marcada pela ultima menstruação, ou seja, o fim da fase reprodutora dos ovários. O médico ginecologista Fernando José Felipe de Paula, formado em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina, com mestrado em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo, explicou ao Conexão Ciência esse período de vida das mulheres. Ele foi coordenador do projeto de Estudo comparativo da eficácia da TRH (terapia de reposição hormonal) manipulada em baixas doses, que avaliou o resultado do tratamento por medicamentos industriais e manipulados.

Conexão Ciência: Em qual idade da mulher começa a menopausa?

Fernando de Paula: Isso é variável de país pra país, de raça pra raça. No Brasil, em média, as mulheres têm seu ultimo fluxo menstrual entre os 44 e 45 anos. Tem países em que essa idade média é um pouco mais elevada e em outros, um pouco mais baixa.

Conexão Ciência: Mas quais são os fatores para essa diferença de idade?

Fernando de Paula: É sabidamente provado que o uso de cigarro antecipa a menopausa em até três anos. A mulher que fuma tem a menopausa mais precoce que mulher que não fuma. As européias fumam mais que as brasileiras e as orientais. É difícil você ver um japonês, por exemplo, fumando e além disso, ele come mais soja, que é um alimento rico em isoflavona, que é um hormônio vegetal com características semelhantes ao hormônio estrogênio. Então os fatores são: genético, alimentar e ambiental.

Conexão Ciência: O anticoncepcional pode interferir, antecipando ou atrasando, a menopausa?

Fernando de Paula: O anticoncepcional, tanto faz usar um mês ou dez anos, não vai interferir na idade da menopausa da mulher. A única coisa que interfere hoje, além do cigarro, é o uso de algumas drogas que agridem o ovário, especialmente os quimioterápicos. Então a mulher que faz quimioterapia, por qualquer problema, ela tem a menopausa mais precoce. O contágio de algumas doenças, especialmente doenças virais que acabam acometendo o ovário, por exemplo, a rubéola, pode levar a uma falência ovariana prematura. Algumas doenças auto-imunes também acabam por antecipar a menopausa, por exemplo, lúpus, que é a doença imunológica mais comum que se tem.

Conexão Ciência: É do organismo da mulher ter essa queda dos hormônios naturalmente. Então por que promover a reposição hormonal?

Fernando de Paula: Porque durante o período da vida da mulher ela tem estrógeno e progesterona, que são os hormônios femininos, que dão as características femininas. O estrógeno melhora muito a circulação sanguínea para a pélvis, mantendo a mucosa vaginal lubrificada. Além disso, o estrógeno melhora muito a retirada do cálcio da dieta e a inclusão desse elemento dentro da massa óssea, preservando-a. Aí, de repente, com o climatério, a mulher tem uma queda brusca de estrógeno para níveis que ela nunca teve antes na vida dela.

Com essa queda, há uma perda de controle da circulação dos vasos cardíacos e cerebrais e isso pode se manifestar através de sintomas, como o famoso "calorão". Este nada mais é que uma perda de um controle de regulação dos vasos por deficiência de estrogênio.

Além disso, a mulher pode ter dificuldade na relação sexual porque a mucosa vaginal fica mais ressecada pela falta de estrogênio e pode acarretar desconforto na relação, um pouco mais de dor, infecção ginecológica de repetição, pois ela perdeu um fator protetor que o hormônio daria.

Ainda por causa da menor absorção de cálcio, aumenta o risco de osteoporose, que no futuro acaba aumentando o numero de fraturas.

Então o estrógeno altera muita coisa. A regulação do sono é muito determinada por ele. A mulher pode ter período de diminuição do sono, de insônia, de irritabilidade, de falta de concentração, por isso que tem que fazer reposição hormonal. A pergunta é se a reposição hormonal é pra todas ou não e aí a resposta é que não!

A reposição hormonal é para as mulheres que sentem tudo isso e que a vida ficou pior sem estrógeno. Mas têm mulheres que não sentem tanta repercussão da falta desse hormônio, porque elas não têm queixa, nem sexual, nem de perda de massa óssea, nem de "calorão", nem de insônia. Essas não precisam de hormônio.


Conexão Ciência: Alem da reposição por medicamentos, existem outros tipos de reposição hormonal?

Fernando de Paula: Têm vários tipos de reposição. Tem a reposição hormonal tradicional, que é você pegar o estrógeno sintético e substituir o estrógeno natural que ela não produz mais, essa é a mais comum. Tem reposição hormonal que chamamos de fitoterápico, que vem de plantas, na tentativa de aumentar a concentração de algumas substâncias desses estrógenos que são encontradas em plantas, como soja, como folha de uva, como lentilha. Têm reposições exclusivas de produtos que só protegem os ossos, que não são hormônios, então não seria uma reposição hormonal e sim, um tratamento para um problema específico, que é a osteoporose. Têm cremes ginecológicos especificamente para melhorar a lubrificação vaginal. Então você tem N tipos de reposição, não de hormônio, mas de tratamento para os sintomas causados pela falta de hormônio.

Conexão Ciência: As mulheres só sentem esses sintomas durante essa fase?

Fernando de Paula: Não, têm outros, os comuns são esses, mas têm inúmeros sintomas raros. Por exemplo, tem mulheres que vieram reclamando de secura do globo ocular, sentem como se tivesse areia no olho o tempo inteiro. Outras mulheres se queixam de ressecamento da pele, cabelo quebradiço, enfraquecimento das unhas, lentidão do hábito intestinal. E tudo isso pode estar relacionado à reposição hormonal.

Conexão Ciência: Quando vocês encerraram o projeto, acharam que o medicamento manipulado pode ser substituído pelo medicamento normal ou não?

Fernando de Paula: Não, o projeto foi encerrado justamente por isso. Porque o projeto pegava uma farmácia de manipulação de Londrina e região, sorteada aleatoriamente, portanto não sabíamos nem o endereço, nem nome da farmácia e receitávamos o medicamento manipulado para a paciente comprar, enquanto outras pacientes usavam medicamentos feitos pela indústria farmacêutica. O que percebemos é que na resolução dos sintomas os dois são iguais. Ou seja, tanto a mulher que usou medicamento manipulado quanto a que usou medicamento farmacêutico, melhorou dos sintomas e isso ficou muito claro.

O que teve de diferente entre um e outro foi que alguns efeitos colaterais foram mais intensos nas mulheres que usavam manipulados do que nas mulheres que usavam o remédio original. A partir daí, nós fizemos uma dosagem no nível de hormônio do sangue e víamos que quando a mulher tomava o mês inteiro o remédio industrial, o nível de hormônio do sangue mantinha sempre o mesmo nível e sempre o valor ideal. Já aquela que usava o manipulado, tinha dias em que tinha níveis de hormônios altíssimos, às vezes seis vezes mais altos do que precisava, e outros dias em que tinha níveis de hormônios muito baixos, até abaixo do que era esperado.

A nossa conclusão foi que em muitos locais a manipulação não é capaz de manter a dose adequada de hormônio em todas as cápsulas, então vai ter dia em que ela vai tomar uma cápsula manipulada com uma dose mais alta do que ela precisava e vai ter dia que ela vai tomar uma dose mais baixa, e isso dá mais efeito colateral, especialmente spotting ,que é sangramento fora de época, além de mastalgia, que é dor na mama. Nós percebemos que no manipulado tem uma variação de concentração de hormônio que o original não tem. Agora, a olho nu, pra quem não sabe desse tipo de trabalho, vai ver o resultado da resposta da satisfação das pacientes que foi que todas gostaram. Todas melhoraram o calor, todas protegeram os ossos, todas melhoraram lubrificação vaginal, tanto faz uma como outra.


Conexão Ciência: E quais os efeitos colaterais que ambos os tratamentos podem ocasionar?

Fernando de Paula: Ambos podem provocar dor na mama porque, toda vez que você repõe hormônio, a mama pode aumentar de volume. Podem provocar sangramento fora de época porque você volta a estimular o endométrio (uma membrana que reveste o útero e é responsável por eliminar o ovulo quando não fecundado através da menstruação ou ainda, quando há a fecundação, o endométrio nutre o ovulo com reservas nutritivas) , pode ocasionar retenção líquida, o que pode representar um ganho de peso, mas é um ganho de peso limitado, de gramas a quilo, no máximo. Outros problemas que podem dar pra quem usa hormônio é problema circulatório, especialmente aumento de varizes e trombose nas que têm hábito de fumar e não fazem exercício físico. Então esses são os efeitos mais comuns e os efeitos mais raros, mas que são tempo-dependentes, que vai depender de quanto tempo a mulher usa e de qual dose de hormônio, é um aumento na incidência do câncer de mama, pequeno, mas tem um aumento em comparação com a mulher que não usa.

Créditos da foto:http://blog.cancaonova.com/minhafamilia/files/2007/09/menopausa.jpg

Ano 5 - Edição 43 -22/06/2008






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