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  10/05/2008
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Como o paranaense fala?

Os estudos realizados pela geolinguista Vanderci Aguilera mostram as influências no vocabulário que o paranaense recebeu

Como o paranaense fala?Pauta e Edição: Pauline Almeida
Reportagem: Georgia Pereira


O Brasil é, sem dúvida, um país plural. Destacando-se por sua grande extensão territorial, em cada estado brasileiro existem as particularidades para a culinária, para o vestuário, para as festas típicas, e claro, para o vocabulário. Este, se não é o que mais ressalta a diferença entre um estado e outro, está ali para caracterizar como cada região encontra sua forma única de se expressar. Em função disso, há muitos estudos no Brasil que visam decodificar as características lingüísticas de determinadas regiões, na tentativa de registrar como se fala em cada estado brasileiro

E a responsável por mapear a fala do Estado do Paraná, foi a professora Vanderci Aguilera, professora do departamento de letras vernáculas e clássicas da Universidade Estadual de Londrina, que defendeu sua tese de doutoramento em 1990, pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita, com a elaboração do Atlas Lingüístico do Paraná. A inspiração para criar o Atlas Lingüístico do Paraná, nasceu por meio do professor de São Paulo, Pedro Caruso, geolinguista que atuava na Unesp, amigo de Vanderci. Hoje falecido, o professor foi o responsável pela criação do Atlas Liguístico de São Paulo, e Vanderci Aguilera, tinha a intenção de comparar o vocabulário dos dois estados.

A elaboração do Atlas começou com a visita a 65 cidades do Estado para decodificar a pronúncia e os vocábulos usados na região rural de cada município. Para mapear o vocabulário rural do Paraná, a professora geolinguista aplicou um questionário composto por 325 questões para verificar a variação lexical* e a variação fonética** dos termos. Em cada localidade foram entrevistados um homem e uma mulher analfabetos entre 30 e 50 anos. A condição de analfabetos se justifica, porque, segundo Vanderci Aguilera, essas pessoas mantêm o vocabulário e a fonética original, "eles não tem a contaminação da escola, porque, por meio do ensino, ela sepulta as falas antigas, perdendo as características do vocabulário rural e regional", defende a professora. A pesquisa foi feita em regiões interioranas porque as pessoas que vivem ali, geralmente nasceram e permaneceram pelos arredores, guardando traços da fala regional.

E dentro desse desenho realizado pela pesquisa, foi possível detectar as influências da colonização no Estado. Apesar de predominar as influências da Língua Tupi e Portuguesa, principalmente na região Leste, cada segmento do Paraná recebeu influências de grupos distintos. No Oeste, em cidades como Cascavel, Marechal Cândido Rondon e Toledo, por exemplo, além da região sul, ocorre o predomínio de características herdadas dos alemães, poloneses, italianos, além da influência sulista dos catarinenses e gaúchos. Já a parte Leste do Estado guarda fortes traços da língua indígena tupi e dos portugueses do século XVII. Exemplos são os nomes de cidades como Curitiba, além da influência na fauna que denominou os animais como jaguatirica, preá e o urubu. Dentro desse contexto dos marcos indígenas no Paraná, a professora doutora Vanderci Aguilera cita uma particularidade "O único nome de origem Kaigang no estado é a palavra que dá nome ao município de Goioerê, as demais são todas resquícios do Tupi". O Norte do Estado carrega as marcas trazidas pelos mineiros e paulistas, principalmente pelo fato do Paraná ter pertencido a São Paulo até 1853, logo sua influência na região é notória.

Os desdobramentos desse estudo rendem até hoje artigos científicos e aprofundamentos em detalhes que na tese de doutorado de Vanderci Aguilera não puderam ser abordados. É o que ocorre com os alunos orientados pela geoliguista, que estudam o tema nas suas particularidades. Os estudos do Atlas Linguístico do Paraná fazem parte hoje de um projeto de maior amplitude denominado Atlas Lingüístico Brasileiro, que pretende mapear os falares do Brasil. O primeiro volume desse estudo será lançado em 2009 trazendo os traços coletados da fonética e da fonologia das capitais brasileiras. E para quem se interessou pelo assunto e quer saber mais detalhes pode acessar o site www.alib.ufba.br e conferir o andamento das pesquisas.


Glossário:
*Variação lexical: variação no conjunto de palavras de determinado idioma, que nesse caso é a língua portuguesa.

**Variação fonética: estudo das variações dos fonemas, dos sons que compõem uma palavra.

Créditos da foto: Georgia Pereira
Legenda da foto: Professora Vanderci Aguilera

Ano 5 - Edição 37 -10/05/2008






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