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  18/05/2008
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Os cem anos de imigração japonesa sob outro ângulo

Projeto de pesquisa da UEL privilegia noções de tempo e espaço para caracterizar a vinda dos japoneses ao norte do Paraná

Os cem anos de imigração japonesa sob outro ângulo
Pauta e Edição: Vitor Oshiro
Reportagem: Letícia Nascimento



Quando o navio Kasatu Maru aportou em Santos, em 1908, com aproximadamente 160 famílias japonesas e perspectivas de uma vida melhor, ninguém podia imaginar o quanto a cultura dessas pessoas influenciariam a brasileira. Os japoneses e seus descendentes comemoraram no último mês, o centenário da imigração de seus ancestrais ao Brasil.
De acordo com o site www.japaobrasil.com.br, essa mescla de culturas foi importante tanto para os japoneses - que há cem anos atrás vislumbraram no Brasil a esperança de conseguir estabilidade ao mesmo tempo em que superavam as crises pelas quais passavam " quanto para os brasileiros, que aprenderam muito da cultura japonesa.
Hoje em dia, pode-se observar claramente como a união de japoneses e brasileiros atingiu um nível não apenas amistoso, mas também de reciprocidade. Os japoneses trouxeram em sua bagagem costumes, métodos e ensinamentos que foram fundamentais para o crescimento de diversas áreas, sendo responsáveis por diversas mudanças na agricultura brasileira, por exemplo.
Ainda de acordo com o site citado, os orientais fixaram raízes no Brasil, primeiro em São Paulo e, após sofrerem restrições quanto ao plantio de café, no Norte do Paraná. E a partir dessa união de culturas, há tanto tempo consolidada, surgiu a necessidade de estabelecer com mais clareza o que veio a ser a migração japonesa, de preferência no norte do estado do Paraná e, quais as implicações econômicas, sociais e culturais que a chegada dos japoneses propiciou aos brasileiros.
Para responder a essas e algumas outras questões, está sendo desenvolvido na Universidade Estadual de Londrina (UEL) o projeto: "Espaço e tempo nas migrações internacionais no norte do Paraná", coordenado pela professora Alice Yatiyo Asari, doutora na faculdade de filosofia, letras e ciências humanas da Universidade de São Paulo (USP). O projeto conta ainda com a colaboração de Ruth Youko Tsukamoto (doutora na faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP) e com a consultoria de Estela Okabayaski Fuzzi (membro da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná).
O projeto iniciado em 2006, tem como objetivo analisar as motivações para a migração japonesa dentro de sua função social e histórica, delimitando as noções de tempo e espaço vivenciadas pelos imigrantes.
Questões que envolvem o motivo da vinda dos japoneses ao Brasil naquela época - a trajetória de vida deles, desde antes de migrarem ao país, quais atividades vieram realizar e o modo como foram tratados ao chegar aqui - são pesquisadas e trabalhadas no projeto.
O tempo e o espaço aparecem com maior destaque, pois o estudo é centrado nas explicações de como essas duas variáveis influenciaram a estadia dos japoneses no Brasil. Noções de territorialização são muito explicativas, segundo a coordenadora do projeto, pois o local para o qual os imigrantes se dirigiam era de extrema importância para sua permanência ou não no país.
O projeto, de acordo com Alice Asari, é "diferente dos projetos habituais e busca retratar a imigração de uma forma mais integrada, pois leva em consideração inúmeros fatores, como a trajetória de vida dos imigrantes e como se relacionam com o local ao qual foram destinados " nesse caso, o norte do Paraná - e o espaço que outrora lhes era comum". A grande maioria dos estudos existentes sobre a imigração japonesa, segundo a coordenadora, apresenta apenas fotos, nomes de famílias e os locais para onde foram designados, mas não estudam a fundo a relação dos imigrantes com tais locais, com o espaço em que viviam e que agora não lhes pertence.
"Pode até parecer oportunismo de nossa parte, mas o que queríamos fazer era um trabalho mais científico e direcionado para a questão migratória e dessa forma contribuir para os estudos dos cem anos da imigração, afinal a memória dos imigrantes vai ser recuperada" disse a coordenadora do projeto. O centenário comemorativo da imigração japonesa coincidiu com a execução do projeto, que deveria se encerrar em julho desse ano, mas vai precisar de mais tempo para ser finalizado. Segundo Alice Asari, esse projeto busca realizar um registro mais científico, focado na migração na região norte do Paraná, complementando os que já foram publicados até então.
As análises estão sendo realizadas em trabalhos de gabinete e de campo. No primeiro caso, as pesquisas bibliográficas focaram os temas de migrações internacionais, imigração japonesa, dekassaguis (brasileiros descendentes de japoneses, que fazem o processo contrário, migrando para o Japão), territorialização e questões agrárias. Segundo a coordenadora do projeto, Alice Yatiyo Asari, essa bibliografia servirá como base para as futuras aplicações nas pesquisas realizadas nos trabalhos de campo: esta parte compreenderá entrevistas com membros de instituições nipo-brasileiras credenciadas e com os próprios imigrantes japoneses e seus descendentes.
O projeto, ainda sem previsão de término, mantém mais de quinze subprojetos com a participação bolsistas de iniciação científica baseados no estudo, e está sendo desenvolvido no Laboratório de Estudos Agrários, do Departamento de Geociências da UEL.

Crédito da foto: www.portogente.com.br/mardesonhos/historia.php
Legenda: Japoneses trabalhando na colheita. Imagens cedidas pelo Museu da Imigração Japonesa.

Ano 5 - Edição 38 -18/05/2008



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