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  20/06/2010
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Projeto do departamento de Ciências Sociais analisa os movimentos sociais que lutam por moradia
"Com as políticas neoliberais se agravou a
questão do desemprego e em conseqüência
aumentou o déficit de moradia", afirma o
cientista político Eliel Ribeiro Machado
Projeto do departamento de Ciências Sociais analisa os  movimentos sociais que lutam por moradia
Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Beatriz Bevilaqua



Segundo o Ministério das Cidades, o novo indicador do déficit habitacional brasileiro é estimado em
5,8 milhões de domicílios, dos quais 82% estão localizados nas áreas urbanas. As principais áreas
metropolitanas do país abrigam 1,6 milhão de domicílios representando 27% das carências
habitacionais do país.

A falta de moradia é um problema crônico nas grandes cidades. Segundo dados do IBGE, mais de
80% dos municípios nacionais têm cadastros de famílias interessadas em programas
habitacionais. Nos anos 90, movimentos sociais se organizaram em torno da questão do acesso à
habitação. Com o foco nessa área, o professor doutor Eliel Ribeiro Machado orienta o projeto de
pesquisa "Organização política e composição social dos sem teto em São Paulo", desenvolvido
pela estudante de Ciências Sociais Taynara Freitas Batista de souza.

O doutor Eliel Ribeiro Machado é graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo
(USP) e Doutor em Ciência Política pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, e
explica que a pesquisa se preocupa em mostrar como movimentos sociais ( como os Movimentos
dos Trabalhadores Sem Teto e o Movimento Sem Teto do Centro) se organizam. Por exemplo: as
bandeiras em torno das quais se agrupam, seus líderes, o modo como são tomadas as decisões,
os significados das suas ações e os objetivos das pessoas que estão no movimento. "O projeto
não trata somente da questão habitacional" acrescenta.

Dados do Atlas Fundiário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de 2006
revelam a concentração de terra no Brasil. De acordo com o Atlas, cerca de 3% do total das
propriedades rurais do país são latifúndios, ou seja, possuem mais de mil hectares e ocupam
56,7% das terras agriculturáveis.

Para o professor Doutor Eliel Ribeiro Machado, a migração em massa dos trabalhadores do campo
para as cidades foi conseqüência de políticas de concentração de terra adotadas no país nos anos
60 e 70. O doutor também faz crítica às políticas neoliberais. "Com as políticas neoliberais, agravou-
se a questão do desemprego e, em conseqüência, aumentou o déficit de moradia", afirma.

Com tanta desigualdade social e discrepância fundiária, surgem movimentos de luta por moradia e
de resistências às políticas neoliberais favoráveis à acumulação do capital, é o que revela o projeto
da discente Taynara Freitas Batista de Souza.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) surgiu, no final da década de 90, com o
compromisso de lutar, ao lado dos excluídos urbanos, contra a lógica perversa das metrópoles
brasileiras: sobram terra e habitações, falta moradia.

Um dos movimentos que Taynara de Souza pesquisa é uma espécie de braço urbano do MST, já
que eles têm muita proximidade política ideológica. O método de pesquisa que a estudante se
baseia é por meio de autores que contribuem para o entendimento do processo de urbanização
capitalista e das formas de organização das classes trabalhadoras. Alguns dos autores que ela se
baseia são Décio Saes, George Rudé, Friedrich Engels, Antonio Gramsci, Rosa Luxemburgo e
Lênin.

Além disso, a pesquisadora também utiliza material disponível em monografias, artigos científicos,
teses, dissertações, sites da internet de diversos movimentos urbanos e entrevistas de lideranças,
militantes comuns e a base dessas organizações.

Legenda da foto: Eliel Ribeiro Machado, orientador do projeto de pesquisa "Organização política e
composição social dos sem teto em São Paulo".
Crédito da foto: Antonio Ozaí da Silva




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