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 Reportagem
  01/09/2008
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A influência da cultura Angolana no Brasil
Pesquisa mostra que o povo bantu, de origem angolana, influenciou a música, a culinária e a língua brasileira
A influência da cultura Angolana no Brasil
Pauta e edição: Pauline Almeida
Reportagem: Georgia Pereira



Com certeza você já ouviu ou até mesmo usa no seu vocabulário algumas dessas palavras: canjica, moleque, quiabo. Elas são comuns no dia a dia do brasileiro, mas poucos sabem suas origens. Dentro deste grupo que estuda as influências na nossa língua está o professor, com doutorado em Letras pela Faculdade de Ciências e Letras - Campus de Assis (1993), Sérgio Paulo Adolfo (professor do departamento de letras vernáculas e clássicas da UEL). O estudioso dedica sua pesquisa à literatura Angolana, que por meio dos escravos que chegaram ao Brasil no tempo de Colônia, deixou fortes marcas na língua, na música, na culinária e na cultura brasileira.

Quem introduziu a análise sobre a influência da África em nosso país foi o médico maranhense Nina Rodrigues, que ainda no século XIX centrou seus estudos sobre um grupo denominado nagôs, que viviam na costa oeste do continente africano. Dando continuidade, Edison Carneiro, em 1938, se aprofundou nas pesquisas sobre esse grupo.

Sabendo da existência de outros povos angolanos e da diversidade desse país, o professor dr. Sérgio Adolfo começou seus estudo sobre Angola, em 1982, e com o desenrolar de sua pesquisa descobriu a riqueza cultural dos povos bantus. Estes formam o principal grupo étnico que originou a maioria da população angolana. Em função dos inúmeros cruzamentos entre si, o que gerou grande diversidade entre eles, não são considerados uma raça, mas sim um povo. "Raça é um grupo etnicamente aparentado, ou seja, tem grau de parentesco, enquanto que um povo é um conjunto de pessoas reunidas por um mesmo ideal. No caso dos bantus, eles são um povo porque são unidos linguisticamente" esclarece o professor Adolfo.

Por meio do projeto de pesquisa "Tradição e Modernidade na Literatura Angolana", o professor Sérgio Paulo Adolfo estudou a tradição dos bantus e as influências implantadas por eles aqui no Brasil. Esse povo se divide em dois: os ambundos que falam o quimbundo e os bacongos que falam a língua quicongo. As heranças implantadas no Brasil se originam mais dos primeiros do que dos segundos. Isso se deve em função dos ambundos terem conquistado ao longo do tempo um suporte maior para se desenvolver culturalmente, já que viviam na capital angolana, local que estava em crescimento.

A pesquisa revelou que 90% dos bantus que chegaram ao Brasil, no período da escravidão, têm origem nesses dois grupos. E apesar da influência portuguesa, eles ainda conseguiram preservar sua cultura, seus ritos e costumes, o que, de acordo com o professor, prova que a cultura africana é milenar e tem raízes fortes e solidificadas. "Eles trouxeram e mantiveram aqui no Brasil um cabedal cultural muito rico, com influências que perduram até hoje nos usos, costumes, vestimentas e no jeito alegre de ser do brasileiro", afirma Adolfo.

Das influências arraigadas no Brasil pelos angolanos, o professor destaca as raízes deixadas na língua. O Brasil recebeu um maior número de indivíduos que falavam quimbundo e eles trouxeram marcas para o léxico da língua portuguesa. Alguns exemplos: quilombo, cachimbo, quitanda, muamba, marimbondo, foram heranças dos ambundos. Além da língua as influências também acontecem na música. O samba tem origem angolana, assim como a capoeira, a umbanda e o candomblé.

Os estudos do professor Sérgio Paulo Adolfo ficaram centrados na bibliografia já existente, que datam das décadas de 30, 40 e 50 do século XX. Este período foram os anos em que Portugal estava interessado em estender seu domínio sobre a África, e por isso encaminhou até Angola, padres e missionários que estudavam a região e escreviam contando as melhores formas de dominar e cristianizar os angolanos.

O projeto "Tradição e Modernidade na Literatura Angolana" está em fase de conclusão e como fruto da pesquisa, o professor coordenador do projeto, Sérgio Adolfo, vai publicar o livro "NKISSI SOBA TIA NGUZU (tradução: Nkissi, o senhor da força)- estudos sobre o candoblé de Congo Angola". A obra foca na questão mística e religiosa dos bantus. Ainda não há previsão do lançamento da obra, mas ele tem a intenção de publicá-la até maio do próximo ano.

Créditos: http://www.spanport.ucsb.edu/faculty/mcgovern/Angola/angola_map.gif
Legenda: O mapa angolano






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