| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Conexão Ciência
Desde: 15/04/2004      Publicadas: 835      Atualização: 20/11/2011

Capa |  Agenda  |  Editorial  |  Entrevista  |  Estante  |  Expediente  |  Notas  |  Notícias  |  Reportagem  |  Reportagem Especial  |  Reportagem Especial


 Reportagem

  29/03/2008
  0 comentário(s)


Acidentes com lagarta deixam população do Paraná em alerta

O contato com o inseto já causou uma morte no interior do estado

Acidentes com lagarta deixam população do Paraná em alerta
Pauta e Edição: Pauline Frank de Almeida
Reportagem: Geórgia Pereira


Vulgarmente conhecidas como taturanas, as lagartas da família Saturnidae têm sido assunto de discussão e preocupação no Estado do Paraná. Nas últimas semanas o estado registrou cerca de 24 acidentes com a lagarta Lonomia obliqua, que afetou as cidades de Guarapuava, Pato Branco, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu e Curitiba. A situação é grave porque já foi registrada uma morte no município de Clevelândia.
Nos últimos anos, a única vítima fatal foi registrada em 2004 em Tijucas do Sul. (informações retiradas do site Agência Estadual de Notícias).

A lagarta costuma aparecer nos meses mais quentes da primavera, e especialmente no verão, entre dezembro e março. Nesse período, o fato de sua maior incidência se deve, primeiro, ao aumento das temperaturas, e segundo pelo desmatamento freqüente, pois, com tal ação, seus inimigos naturais tendem a diminuir, aumentado a população de lagartas.

CONHEÇA A LAGARTA
O que pode ser conhecido como taturanas, mandrová, mandorova, mandruvá, uruga, ruga tem como nome científico Lonomia obliqua, da ordem dos lepidópteros (do grego lepis, idos e petra significa asa escamosa, ou seja, a asa da mariposa que é a lagarta na fase adulta), da família Saturnidae. A lagarta Lonomia obliqua apresenta um corpo marrom escuro, com faixas em preto, marrom claro e branco. Sua aparência é atraente, pois tem cerdas coloridas (chamadas de espinhos pela população) que chamam a atenção de quem vê. As cerdas são denominadas scoli e possuem a forma de pinheirinhos na cor verde que ficam sobre o seu dorso. Elas servem como um mecanismo biológico de defesa contra predadores e até mesmo contra contatos acidentais com o homem. Dentro das cerdas existe uma toxina, um líquido urticante que ao entrar em contato com a pele, se quebra libera a substância, causando irritação. Em geral, não há uma toxina única. Mas o que se sabe é que ela altera o fluxo sanguíneo da pessoa afetada, dificultando a coagulação, causando em casos mais graves, hemorragias.

As lagartas vivem num sistema chamado gregarismo, ou seja, todas juntas, e ficam em repouso a maior parte do dia. O professor da Universidade Estadual de Londrina, Carlos Eduardo de Alvarenga Julio, doutor em zoologia, pela Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho, comenta que a ocorrência de tantos incidentes com as lagartas se deve ao fato dela ficar camuflada no tronco das árvores, local onde se encontra a maior parte do dia. Os acidentes ocorrem geralmente com pessoas que trabalham com jardinagem ou em pomares e não fazem uso de luvas.

ENTENDA O CICLO
A classe dos insetos tem várias divisões quanto a sua metamorfose. Existem os ametábulos que não sofrem metamorfose; os hemimetábulos que sofrem metamorfose incompleta e por último, no terceiro grupo, os holometábulos que sofrem metamorfose completa. Nesse grupo é que está inserida a lagarta. "Elas passam, pela fase de ovo, e dele eclode uma larva, que passa por vários estágios, trocando a pele, (essa troca de pele é chamada de equidise). Na última fase eles ficam num estágio chamado de pupa, e dentro dela é que ocorre a metamorfose e surge o adulto. Depois disso ele não cresce mais", esclarece o professor Carlos de Alvarenga. Ao todo o ciclo, dura aproximadamente três meses.

O doutor em zoologia também explica que "a forma jovem não compete com o adulto pelo alimento", pois "as larvas dos lepidópteros tem o aparelho bucal mastigador e o adulto sugador".

COMO PREVENIR ACIDENTES
Diante de tantas ocorrências, é válido destacar medidas simples que podem evitar o contato com a lagarta. Para as pessoas que trabalham com jardinagem, especificamente com árvores como goiabeiras, pessegueiros, abacateiros e qualquer outra espécie frutífera é aconselhável o uso de luvas de borracha, para não entrar em contato com a lagarta. Também é importante observar, durante o dia, se elas estão agrupadas nos troncos das árvores, e verificar se existem sinais de folhas roídas nas copas, casulos ou pupas, evitando assim, um contato acidental.

PRIMEIROS SOCORROS
Independente do tipo de contato é importante, primeiramente, lavar o local com água corrente e sabão. Em seguida, é aconselhável ir ao médico mais próximo e levar a lagarta, mesmo que morta, para que se possa realizar um diagnóstico mais preciso.

Deve-se evitar fazer torniquete ou usar qualquer tipo de medicamento caseiro, porque isso pode intensificar a ação da toxina e piorar o estado da lesão.
Para esclarecer algumas dúvidas sobre os danos da lagarta, a população de Londrina e região pode ligar para a Vigilância Sanitária, pelo telefone 33761907. E para os demais municípios, o estado do Paraná disponibilizou o telefone 0800 41 0148 que é do Centro de Controle de Envenenamentos, para emergências.

Serviço:
Vigilância Sanitária: 3376-1907
Centro de Controle de Envenamentos: 0800- 41 0148


Créditos da foto: http://www.cit.sc.gov.br/agentes_animais_lagartas_lonomia.php






Capa |  Agenda  |  Editorial  |  Entrevista  |  Estante  |  Expediente  |  Notas  |  Notícias  |  Reportagem  |  Reportagem Especial  |  Reportagem Especial
Busca em

  
835 Notícias