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 Reportagem

  28/06/2008
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Conheça as fases comportamentais da mulher na gravidez

Psicoterapeuta explica sintomas e patologias do pré e pós-parto e sugere acompanhamento psicológico

Conheça as fases comportamentais da mulher na gravidezPauta e Edição: Vitor Oshiro
Reportagem: Guilherme Santana


O II Simpósio de Psicologia Clínica do Instituto de Análise do Comportamento em Estudos de Psicoterapia (IACEP) aconteceu nos dias seis e sete de junho. O evento foi realizado no Auditório da Cidade Universitária e reuniu profissionais da área para tratar de diversos assuntos. O simpósio teve a presença da mestranda em Análise do Comportamento pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) Marina Gomes Wieliewicki.
A professora formada em Psicologia pela UEL e psicoterapeuta* do IACEP falou a respeito dos aspectos psicológicos da gravidez e pós-parto. "As mulheres passam por mudanças nos níveis hormonais e metabolismo, alterações na rotina e regras sociais relativas à maternidade que resultam em respostas comportamentais", disse Marina Wieliewicki. Segundo a professora, fazem parte dessas respostas: as oscilações de humor, existência de sentimentos opostos entre si e vulnerabilidade a determinados vetores que antes não as prejudicavam.
As regras sociais - dar a luz com muita felicidade, ser bem sucedida reprodutivamente e o fato de dar filhos saudáveis ao marido - elevam as expectativas da genitora e podem culminar em sentimentos negativos. "A grávida não dá conta de seu contingente e acaba ficando suscetível à culpa e depressão", afirma.
A psicoterapeuta explica que, no primeiro trimestre da gravidez, ocorre a avalanche hormonal, uma rápida adaptação do corpo a chegada do feto - momento o qual ocorre o impacto da notícia e gera certa crise. No segundo trimestre tudo se equilibra e ocorre uma interação mãe-filho - nostalgia de saber que está gerando uma criança. O terceiro trimestre suscita cansaço e compromete determinadas funções, tudo causado pela ansiedade com a proximidade do parto.
"Os primeiros dias depois do parto trazem a mulher para a realidade, o que lhe dá certo medo da responsabilidade. As oscilações rápidas de euforia, pelo nascimento do filho, e depressão, por não saber lidar com a situação, também fazem parte do pós-parto", explica Marina Wieliewicki.
"A partir do terceiro ou quarto dia, a mulher passa por uma labilidade afetiva (mudanças súbitas de humor), conhecida como disforia do pós-parto, porém, desaparece espontaneamente até duas semanas e é considerado natural", complementa. Segundo ela, atinge de 50 a 80% das mães.
Outra patologia descrita pela psicoterapeuta é a depressão pós-parto, fato não natural que ocorre geralmente com mães-adolescentes pela falta de maturidade, pelo fato de competir a atenção das pessoas com o bebê, por problemas financeiros ou conjugais. A professora afirma que "atinge de 10% a 15% das mulheres".
Segundo a palestrante, a psicose é o diagnóstico mais raro dessa análise e ocorre em uma a cada mil mães. É responsável pelos casos de infanticídios e ocorre em genitoras que sofrem de alucinações e delírios. A psicoterapeuta afirma que é uma doença e necessita de internamento com tratamento farmacológico.
Vanessa de Sousa Tamiozo foi mãe recentemente e relata que as conseqüências psicológicas analisadas pela professora realmente acontecem. Primeiro vem o impacto da notícia, depois o envolvimento da mãe com o filho e por último a ansiedade do parto. "Assim que ela nasceu (Maria Clara), eu tinha medo de tudo, não sabia lidar direito. Quem me ajudava a dar o banho era a minha sogra", relembrou.
"Os primeiros dias são desconfortáveis, você não encontra a posição certa, não dorme direito com ela chorando a noite. Achei que todos iam me cobrar muito para que eu soubesse lidar com o bebê, mas a minha família entendia e me apoiava, fato que me ajudou a lidar com a situação", disse Vanessa Tamiozo. Ela complementa que "aos poucos você vai se acostumando com tudo, e aqueles sentimentos de euforia e leve depressão vão embora"
Marina Gomes Wieliewicki explica que a função do terapeuta é intervir em todos esses momentos e explicar que cada um dos sintomas e fatos apresentados são normais na gravidez e no pós-parto. No caso da psicose é necessário uma intervenção adequada pela anormalidade da situação, também realizada pelo psicoterapeuta. Ela finaliza afirmando que o acompanhamento comportamental não deve ser feito apenas com a mãe, mas também junto do pai, familiares e amigos.

* Profissional da área da saúde que auxilia no funcionamento desejável da mente do indivíduo por meio de prevenção e intervenção.

Crédito da imagem: http://www.fiocruz.br/ccs/media/csp_gravida2.jpg

Ano 5 - Edição 44 -28/06/2008



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