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 Reportagem

  07/10/2007
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Inglês para todos

A língua mais importante da globalização pede socorro nas escolas públicas do Brasil

Inglês para todos Pauta e Reportagem: Fernanda Souza
Edição: Larissa Ayumi Sato e Vitor Oshiro


Hoje, com o mundo globalizado e comercial, o inglês é considerado a língua universal e cada sociedade se adaptou como pôde a esta tendência. Ao contrário de muitos idiomas, não se aprende mais inglês apenas para comunicação com o falante nativo, uma vez que a maioria dos falantes não é nativa. No Brasil, porém, o ensino da língua inglesa no setor público, que atende a maioria dos estudantes, tem sido alvo de críticas em virtude de resultados considerados insatisfatórios para as demandas atuais. Estas e outras afirmações estão baseadas em dados do projeto "A formação inicial de professores de inglês e o ensino na escola pública: reconstruindo formas de relacionamento", da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

De acordo com as linhas pesquisadas, a formação de professores de inglês, realizada em sua maioria nos cursos de letras anglo-portuguesas, deve nortear condições de reflexão dos formandos e formadores sobre os métodos de ensino, a relevância do idioma aos alunos de escolas públicas e o estágio, que aproxima escolas e futuros professores.

A professora da UEL, Telma Nunes Gimenez*, tem doutorado pela Lancaster University, na Inglaterra, coordenou o projeto mencionado e apresentou algumas conclusões sobre o assunto. Ela atua no programa de Pós-graduação - stricto sensu - em estudos da linguagem, orientando pesquisas no campo de ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras e formação de professores.

Para a professora doutora, o que falta no Brasil é uma política de incentivo ao aprendizado do inglês. O aluno deve acreditar que há significado nas aulas e é preciso que escolas, professores e Estado façam sua parte pela valorização da língua. A Lei nº 9.394/96 que trata das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (a lei pode ser encontrada na íntegra no link http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf ) define que qualquer idioma seja incluído na grade das escolas e esse princípio do "plurilingüismo" faz com que a língua estrangeira não reprove, pois ela pode, teoricamente, variar de acordo com cada região.

O inglês também não entra em sistemas de avaliação nacionais como a Prova Brasil e o ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio), e não há dados no INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas educacionais) que apontem o desempenho dos alunos na língua inglesa. "Quando ela não entra no sistema de avaliação, já é alguma mensagem de sua [não] importância", explica a professora doutora.

A disponibilidade de tempo é também um fator que dificulta o ensino, pois todas as matérias disputam espaço entre si. Aprender a ler, ouvir, escrever e falar em outra língua exige dedicação. A adoção da escola integral seria segundo Telma Gimenez, fundamental, "É uma possibilidade de ampliação de horas no currículo, e uma exposição maior a essa língua é importante", diz.

Alguns estados, como São Paulo, chegam a oferecer cursos lingüísticos extracurriculares nos chamados centros de língua. "Se o próprio estado reconhece que para aprender outro idioma é necessário um número menor de alunos em sala, material didático qualificado e uma carga horária maior, por que não oferece essas condições ao aluno que está cursando isso na grade?", questiona Telma Gimenez. Em quatro anos de ensino fundamental, a média de carga horária é de duzentas horas, o que em um instituto particular de línguas representaria uma proficiência mínima. Além disso, os professores " tanto de nível fundamental e médio e de escolas públicas e particulares - têm que enfrentar outro problema, que é a presença de turmas numerosas, com aproximadamente quarenta alunos em média.

A tendência mundial que chega tarde ao Brasil é o inglês iniciado cada vez mais cedo. A China, que antes o incluía apenas no ensino médio, hoje adota a língua a partir do equivalente a 3ª série do ensino fundamental no Brasil. "Londrina está pensando nisso", diz a professora, e ainda acrescenta que deve haver um planejamento coordenado para que se alcancem as metas, pois o custo é alto e as barreiras são muitas.

O modelo de escola pública atual, definido pela entrevistada como "escola-prisão" devido à presença de grades, por exemplo, aponta para um problema social muito maior. "O educador até pode fazer uma aula mais interessante, mas nem sempre isso é suficiente para contrapor todo o resto", diz a professora doutora. Há exemplos bem sucedidos de professores que acreditam em seu trabalho, gerenciam classes numerosas e se sobrepõem às dificuldades, mas são soluções paliativas, desenvolvidas para lidar com problemas que não deveriam existir.

Segundo a professora, "a solução deve vir a partir da disponibilização de recursos pelo governo, da qualificação do professor, da ampliação de horas para o ensino da língua e do reconhecimento de seu valor". Ela ainda afirma que os objetivos devem ser realistas e traçados de acordo com diagnósticos concretos que, além de dados, indiquem saídas.

Quanto ao futuro, a professora doutora Telma Gimenez, conclui que as perspectivas são de que dentro de alguns anos, em certas regiões do mundo, saber inglês será tão comum que fará parte da formação básica da pessoa e recorrer a outros idiomas será essencial. "O Brasil corre o risco de ficar para trás se não tomar providências o quanto antes", afirma.

*Telma Nunes Gimenez é formada em Letras Anglo-Portuguesas pela Universidade Estadual de Londrina, Especialista em Biblioteconomia pelo College of Librarianship Wales , Mestre em Lingüística Aplicada pela PUCSP e doutora pelo departamento de Linguistics and Modern English Language da Lancaster University , Inglaterra. Realizou estágio na Kettering Foundation , Estados Unidos, onde desenvolveu estudos sobre escola pública e democracia. Lançará, em 18 de outubro, junto a mais quatro professores, o livro "Tecendo as manhãs: a pesquisa participativa e a formação dos professores de inglês", resultado do projeto desenvolvido em cinco instituições diferentes. A pesquisa "A formação inicial de professores de inglês e o ensino na escola pública: reconstruindo formas de relacionamento" teve início há mais de dois anos e está em processo de conclusão.

Crédito da Imagem: www.vec.ca/portuguese/1/english-only-policy.cfm

Ano 4 - Edição 22 - 07/out/07



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