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 Reportagem

  12/11/2007
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Lugar de criança é na escola

Projetos de inclusão trazem benefícios à comunidade escolar

Lugar de criança é na escola Pauta e Reportagem: Renata Santos
Edição: Larissa Ayumi Sato


Educação é direito de todo cidadão e um meio para o exercício da cidadania, que visa o desenvolvimento do indivíduo como pessoa e sua qualificação ao trabalho, conforme o IV Capítulo do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal nº.8.069, de 13/07/1990) em seu 53º artigo.

Cabe ao Estado a garantia do ensino especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, segundo o 54º artigo. O decreto nº.3.298 de 20/12/1999 regulamenta a Lei nº. 7.853 de 24/12/1989, referente à Política Nacional de Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, que, em seu primeiro capítulo, no primeiro artigo, descreve que "a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência compreende o conjunto de orientações normativas que objetivam assegurar o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência".

Para o professor Nilton Munhoz Gomes, doutor em Educação Física pela Universidade de Campinas (Unicamp), a "inclusão não é um fato novo. Atualmente, os alunos têm chegado aos poucos e existe uma dificuldade muito grande em "o que" e "como fazer" com esse aluno na escola". O docente aponta que a falta de preparo dos professores é um empecilho à inclusão. "Muitos professores da rede regular pública de ensino, hoje, por tempo de serviço, não tiveram uma disciplina que abordasse a educação especial" explica.

Márcia Greguol Gorgatti, doutora em Educação Física Adaptada pela Universidade de São Paulo (USP), concorda que a capacitação dos professores na universidade é defasada. "No curso de Educação Física, tem uma disciplina que se chama Educação Física Adaptada, que trabalha com essas questões de deficiência. Só que essa disciplina é isolada, no terceiro ou quarto ano da faculdade. Durante todo o resto do curso, eles não vêem nada sobre deficiência".

A professora ainda explica que não deveria haver uma disciplina específica para questão da deficiência. Dentro de cada ramo e especificidade da graduação, essa questão deveria estar inclusa. "Se na própria faculdade, no curso de Educação Física, ela é vista como uma coisa isolada, como na prática profissional você vai saber que isso é junto?" Ainda nessa questão, Márcia Gorgatti completa:"em Educação Física, você tem essa disciplina, curso de Pedagogia não tem! Curso de Matemática, licenciatura em História não tem. Como é que você quer que esse professor receba os alunos?".

O conceito de inclusão tem sido demonstrado como a inserção de uma criança na escola, esperando com que ela se adapte a realidade escolar. Colocar o aluno na escola não significa que ele será incluso, explica Márcia Gorgatti. "Inclusão em si, é um processo muito benéfico, mas na prática, no Brasil, o que acontece não é inclusão. Inclusão implica em um trabalho prévio, você repensar o currículo, repensar a prática pedagógica, preparar o professor, preparar a comunidade para receber. Quando você simplesmente joga uma criança com cadeiras de roda dentro da escola, isso não é inclusão, é cair de pára-quedas! Então, não tem como você esperar e querer que o professor faça mágica para adivinhar o que vai fazer com aquela criança!".

A maior dificuldade é a transmissão de informação a comunidade escolar, tanto aqueles que estão diretamente envolvidos neste ambiente, como aos pais, na opinião da professora doutora. "Inclusão não é só colocar a criança com deficiência na escola e querer que ela seja bem recebida e efetivamente inclusa. Os pais das outras crianças têm que ser esclarecidos de que os filhos deles não terão prejuízos, pelo contrário, que eles terão ganhos. Ganho social. É importante que os professores entendam qual o papel deles neste processo, que eles têm capacitação para isso. É outro tipo de acessibilidade, acessibilidade pedagógica, tornar a atitude das pessoas receptivas".

Márcia Greguol Gorgatti explica que falta informação [aos pais, professores referente às práticas inclusivas], as pessoas não sabem como fazer. Os benefícios da inclusão não se resumem aos alunos inclusos, mas a todos, que aprenderão a viver em comunidade com as diferenças. Nilton Munhoz explica que a dúvida sobre o real benefício da inclusão ainda é um empecilho para que ela ocorra. "A inclusão dá o direito de viver na diversidade. Quando você convive com o diferente, a aprendizagem existe dos dois lados, ocorre uma troca".

A capacitação dos profissionais é responsabilidade do governo, diz Nilton Munhoz Gomes, mas a escola é o melhor lugar para a quebra dos preconceitos. "Se o papel da escola é formar o cidadão para viver na diversidade, nada melhor do que você propor o contato. Você prepara para viver em sociedade, a criança que tem e a que não tem deficiência. As pessoas não aproveitam essa oportunidade", diz Márcia Greguol Gorgatti. A inclusão não está apenas na estrutura física, de acordo com a professora, mas nas atitudes da comunidade escolar. "Um passo antes da inclusão é a realização de palestras à comunidade, à escola", ensina.

A professora doutora comenta que a disciplina de Educação Física é muito flexível, existem diversas maneiras de compor o movimento. "O aluno pode atravessar a quadra com a bola de mão dada com o "amiguinho", sozinho, em um pé só, de cadeiras de rodas. Não existe uma resposta certa". Márcia Gorgatti conclui que as aulas de Educação Física não devem ser gastas apenas no ensino dos fundamentos; devem formar o cidadão, possibilitando o convívio.

A atividade física traz os mesmos benefícios às crianças com deficiência e às ditas normais, explica a professora. O diferencial é o acesso dessa criança [com deficiência] à sociedade por meio das atividades lúdicas, já que ele é restrito, conclui. Os exercícios evitam ainda a formação de lesões secundárias devido à falta de movimento, mas não revertem a deficiência. "A deficiência não é como a doença, que pode ser curada. Uma vez instalada, ela é permanente", explica Nilton Munhoz Gomes.

"Para uma criança que não caminha, que não pode se movimentar o dia inteiro, a cadeira de rodas é sinônimo de liberdade. É a chance que ela tem de brincar, de fazer esporte e as crianças que não tem deficiência, mas que tem contato com isso desde cedo, acabam "encarando" a deficiência de forma diferente". A expectativa, segundo a professora, é de que essas crianças, quando forem adultas, se tornem mais sensíveis a esta questão de acessibilidade porque hoje elas percebem a dificuldade do "amiguinho" que não tem acesso ao shopping.

Um projeto de inclusão de alunos com deficiência visual nas escolas públicas de Londrina atualmente é coordenado pelo professor Nilton Munhoz. Ele revela que o objetivo do projeto é favorecer a inclusão.

Seu intuito é trabalhar as quatro grandes áreas da deficiência: física, mental, visual e auditiva. O professor revela que estudos sobre a deficiência visual e a inclusão de seus portadores nas escolas regulares não têm sido foco de muitas publicações. Este foi o motivo à escolha da temática do projeto. "A intenção do nosso projeto é buscar essa capacitação, discutir a capacitação do professor na escola do regular, ou seja, como ele está trabalhando, quais são as suas dificuldades, como ele pretende resolver os problemas e trazer essa problemática para a formação inicial de futuros professores", revela.

Crédito da imagem: http://www.veradias.pro.br/inclusao/imagens/viva.jpg

Ano 4 - Edição 27 - 11nov07



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