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 Reportagem

  03/12/2007
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Modelo de vigilância da febre amarela

Pesquisa da UEL estuda a circulação do vírus da doença em primatas

Modelo de vigilância da febre amarelaPauta e Reportagem: Fernanda Souza
Edição: Larissa Sato e Pauline Almeida


A febre amarela, que tem como vetores ( transmissores da doença) as fêmeas dos mosquitos Haemagogus, no meio silvestre, e do Aedes Aegypti, no ambiente urbano, vem sido estudada de uma maneira inovadora por pesquisadores da UEL e de outras instituições. O projeto da Universidade Estadual de Londrina "Investigação e Monitoramento da circulação do vírus da Febre amarela e outros arbovírus ( vírus transmitidos por artrópodes ), visando a criação de um modelo estadual de Vigilância Sanitária" tem como objeto de estudo os macacos-prego e bugios de ilhas das regiões do noroeste do Paraná.

O professor e pesquisador Italmar Navarro, doutor em Epidemiologia experimental aplicada às Zoonoses pela Universidade de São Paulo, é coordenador do projeto e ressalta a importância da pesquisa. Segundo ele, a febre amarela precisa trabalhar em quatro caminhos: a vacinação da população humana, o controle do vetor, a educação da população e a vigilância de animais silvestres, "que é o que ainda não existia". Se um dos macacos está alterado ou separado do bando, ou o bando adoece e morre, deve haver uma preocupação, pois "as doenças mais comuns são as viroses e a maioria delas são zoonoses, ou seja, podem ser transmitidas para os seres humanos".

O desenvolvimento dos trabalhos contou não só com o conhecimento científico, mas com a experiência dos moradores das ilhas de estudo. "É um conhecimento que não tem em universidade nenhuma; eles não usam a percepção científica, mas a intuitiva, e ela funciona muito bem; nós recebíamos deles informação e passávamos informação, orientação", diz o professor. Hoje o Paraná é uma área livre da febre amarela como um todo, mas, há aproximadamente quatro anos, houve morte de bandos de macacos nas ilhas do Rio Paraná e na costa do Paraná e Mato Grosso do Sul, que é, segundo o professor, a região que ainda preocupa por já ter sido uma região de foco.

O projeto nasceu com um objetivo específico. O estado contratou a UEL pelo GEF (Global Environment Facility - Fundo Global para o Meio Ambiente) ligado a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), com o intuito de utilizar os primatas como animais sentinela para um programa de controle da febre amarela. O investimento foi de aproximadamente R0 mil direto para a UEL, mas conforme Italmar Navarro, o financiamento indireto chega ao dobro desse valor, pois envolve despesas como transporte, estadia, barcos e alimentação do grupo durante os dois anos já decorridos do trabalho.

Além disso, a Seti também forneceu suporte técnico, enviando especialistas da própria secretaria e da Funasa (Fundação Nacional da Saúde), e investiu em laboratórios na UEL, que estão se reequipando e se adaptando para futuras análises mais complexas dos animais, "até mesmo em termos de segurança", garante Italmar Navarro. O apoio e participação do Instituto Evandro Sales, de Belém, tem sido fundamental, pois lá são feitas as primeiras análises. "O Instituto possui um centro de diagnóstico de estudo da Febre Amarela e arbovírus em geral, referência não só para o Brasil, mas para a América Latina", afirma o coordenador.

Antes, não havia nenhum modelo de vigilância da Febre Amarela em animais silvestres para prevenir de uma possível fonte de infecção, que são os macacos. Com poucas informações, foi preciso que uma equipe de biologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ingressasse no estudo. "A equipe fez um trabalho belíssimo, tanto de estudo de comportamento, alimentação, tipo de vida, identificação de bandos, animal líder (conhecido como animal alfa), machos ou fêmeas, e quantificação desta população nas regiões", explica Navarro.

De acordo com o pesquisador, os macacos-prego, que são de vida terrestre, e os bugios, que vivem em árvores muito altas, precisaram ser estudados de maneira específica para que se iniciasse o projeto. Um estudo teórico foi feito antes do início das atividades, mas a pesquisa bibliográfica e posteriormente o estratégico trabalho de campo deram origem a algumas das dificuldades da equipe. Armadilhas da literatura para capturar macacos, por exemplo, e tiros com dardos anestésicos para animais a mais de trinta metros de altura, não funcionam na prática. "Nesse projeto tudo foi inesperado; tudo que tínhamos que montar e elaborar era inédito; não existe um modelo pronto no mundo", esclarece o professor.

As pesquisas se dividiram em três etapas: treinamento, execução e processo de amostras, com a elaboração de um manual. Na primeira fase, o treinamento da equipe envolveu cursos como primeiros socorros na selva, rapel, tiros com dardo anestésico, GPS (Global Positioning System " Sistema de Posicionamento Global), mergulho e de como capturar, embalar e enviar animais para os centros de pesquisa.

A segunda fase pretende capacitar pessoas para vigiar o aparecimento de macacos doentes em pontos estratégicos. A equipe está pronta para iniciar o processo de qualificação das regionais de saúde do Paraná e também de outros profissionais ligados a secretaria da agricultura, a secretaria do meio ambiente, ao IAP (Instituto Ambiental do Paraná), a Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) e ao IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) para que todos atuem como agentes observadores.

A maior expectativa é qualificar os outros estados com o manual já pronto, cursos e treinamentos. Na terceira frase pretendem-se montar bases fixas no Paraná de captura permanente em grandes parques fechados e no litoral para coleta de animais que serão chipados (que vão ter chips implantados) e em seguida soltos, para monitoramento. O alcance da pesquisa é nacional e não se restringe ao Paraná. O Ministério da Saúde acompanha de perto a pesquisa e pretende lançar o projeto nacionalmente. No Rio Grande do Sul há um projeto parecido, mas lá são só bugios mais fáceis para capturar com rifles porque se encontram nas árvores pequenas das regiões dos pampas. Por isso programa a ser instalado em todo o país deve ser o desenvolvido no Paraná.

Ano 4 - Edição 30 - 03/dezembro/2007



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