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 Reportagem

  21/10/2007
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O novo papel da mulher

Como ficam as relações familiares quando a mulher tem de sair de casa a trabalho

Pauta e Reportagem: Luiza Calegari
Edição: Larissa Ayumi Sato e Pauline Almeida


"Por um longo período da história da humanidade, os modelos femininos predominantes basearam-se no formato de sociedade patriarcal e, por isso, sofreram forte dominação e repressão". A afirmação provém da doutoranda em Sociologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), Silvana Aparecida Mariano. Ela aponta a Revolução Industrial, no século XVIII, como o marco inicial para as mudanças que se operaram nesses modelos, as quais hoje se tornaram o padrão vigente.

Nesse período, a mulher precisou sair do ambiente doméstico para trabalhar nas fábricas e colaborar no orçamento familiar. Começou, então, a surgir entre os autores da época a preocupação com a "desestruturação" da família. Conforme Silvana Mariano atesta, sob a ótica feminista é preciso que haja a desvinculação da idéia de "crise" do processo de mudança na estrutura familiar que ocorre desde então. "De acordo com o movimento feminista, temos que encarar a situação como uma dinâmica, que é comum a cada época histórica, a cada sociedade", afirma.

Para Silvana Mariano, deve-se aceitar a concepção de que o cuidado com os filhos deixou de ser uma tarefa exclusivamente feminina para se tornar "responsabilidade social". Dessa forma, o Estado tem obrigação de garantir as condições necessárias para que esse processo seja realizado também fora de casa. A professora afirma que "para buscar saídas, devemos nos perguntar: O que acontece com a família quando a mulher sai para trabalhar mais maciçamente? Que tipo de resposta devemos dar a essa situação? Ela certamente não será o retorno da mulher para a casa".

Ela acredita que essa mentalidade do "retorno ao lar" é extremamente conservadora, pois atribui à mulher responsabilidades sociais que deveriam ser mais bem distribuídas, como, por exemplo, a educação dos filhos. Nesse contexto, Silvana desenvolve juntamente com a assistente social Cássia Maria Carloto, professora da Universidade Estadual de Londrina e doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, um projeto sobre Políticas Públicas para mulheres, que tem como foco principal analisar as políticas públicas do gênero já existentes, bem como fornecer, por meio de pesquisas, dados que possam ser utilizados na elaboração de novas.

Com relação ao papel da mulher na família e a influência da escola na formação de crianças e adolescentes, a socióloga Silvana Mariano acredita na supervalorização da segunda, em detrimento da primeira. "Desde os séculos XVIII e XIX, atribuímos à escola o papel de educar. O momento também se combina com o processo de industrialização, e com as complexidades que a sociedade vai adquirindo. Assim, é instituído um ideário de que cabe à escola não somente formar, mas também educar". Ela crê que essa função deve ser preservada, principalmente na difusão de conceitos (por vezes contrários ao de determinadas organizações familiares) essenciais para o bem-estar social. Como exemplo, Silvana Mariano cita o caso de violência doméstica contra a mulher, comportamento que deve ser recusado pela escola mesmo que reforçado no ambiente
familiar.

No mesmo caminho, a psicóloga Mary Neide Damico Figueiró, doutora em Educação pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Marília, também acredita que o papel da mulher na família tenha sido redefinido. Por outro lado, ela aponta, como início dessa mudança, principalmente, os movimentos feministas das décadas de 1950 e 1960. Os avanços obtidos ocorreram principalmente com relação à busca pela igualdade. Para isso, afirma Mary Neide, as mulheres passaram a querer "imitar" os homens em seu comportamento.

"Mas o movimento encontrou uma dificuldade: a mulher acabou se desvalorizando, ao tentar imitar o homem. Quando ela percebeu que o caminho não era esse, e tentou mostrar-se enquanto mulher, com suas peculiaridades, com as próprias qualidades, então o movimento feminista adquiriu um novo sentido", atesta Mary Neide.

A mulher que trabalha fora, segundo a psicóloga, constitui um exemplo saudável no âmbito familiar não apenas às próprias filhas, mas também aos filhos, que crescem com uma nova mentalidade, menos machista. "A mulher acaba educando positivamente seus filhos quando ela se mostra uma profissional engajada, que busca a realização pessoal e contribui com a sociedade".
Uma conseqüência desse processo pode ser a sobrecarga causada pelo acúmulo de funções que a mulher exerce. Mary Neide credita isso ao fato de não ter havido, na medida do aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, o amadurecimento das estruturas familiares e a re-divisão de tarefas domésticas. "Hoje existem homens que "ajudam" no trabalho doméstico. Mas a questão não seria tanto "ajudar", e sim dividir", assevera.

O papel da escola, nesse caso, seria o de reiterar a igualdade entre os gêneros. Sobre isso, Mary Neide atesta que "os professores devem buscar e mostrar a necessidade de igualdade entre os dois sexos. Nenhum precisa ter mais poder que o outro. A busca deve ser pela igualdade, seja ela de direitos, deveres ou necessidades humanas".

Ano 4 - Edição 24 - 21/out/07



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