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 Reportagem

  10/05/2008
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Pesquisadores da Embrapa Soja são premiados

Programa de utilização de soja na alimentação humana recebe prêmio Peter Muranyi

Pesquisadores da Embrapa Soja são premiados
Pauta e Edição: Pauline Almeida
Reportagem:Felipe de Souza


Diversas doenças crônicas e degenerativas têm chances reduzidas de aparecer em alguém que utiliza uma dieta rica em soja. O Food and Drug Administration (FDA-USA), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA-Brasil) e outros importantes órgãos de saúde ao redor do mundo reconhecem os benefícios das proteínas da soja. Seus componentes são capazes de aumentar a elasticidade das artérias coronarianas e reduzir as concentrações do mau colesterol, favorecendo o bom. A soja também possui um peptídeo de baixo peso molecular que contribui na diminuição da pressão e todas essas vantagens reduzem os riscos de doenças cardiovasculares. As isoflavonas também fazem parte da composição desses grãos e reduzem as chances de aparecimento de câncer de mama e de próstata.

As qualidades deste alimento deixam clara a importância do Programa da Embrapa Soja para incentivo de utilização desta na alimentação humana. O projeto, realizado por José Marcos Gontijo Mandarino, mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa e graduado em Farmácia Bioquímica pela Universidade Federal de Minas Gerais, Vera de Toledo Benassi, mestre em engenharia de alimentos pela Universidade Estadual de Campinas, Mercedes Concórdia Carrão Panizzi, doutora em Ciência dos Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina, e Marcelo Álvares de Oliveira, doutor em agronomia pela Universidade Estadual Júlio de Mesquita, com a ajuda de pesquisadores estrangeiros, venceu, em 2008, o prêmio Peter Muranyi, da fundação homônima que a cada ano condecora a pessoa ou entidade que tenha se destacado em uma descoberta ou inovação científica.

O Programa foi idealizado em 1985, iniciado como um projeto de desenvolvimento de sementes de soja adaptadas para serem consumidas em seu estado natural, sem a necessidade de qualquer tipo de preparo. Em seguida, foram desenvolvidas ações de educação e informação sobre a utilização desse alimento na culinária, bem como suas qualidades nutricionais e seus benefícios à saúde. A partir de então, foram organizados cursos de culinária que orientavam sobre as técnicas de preparo que conseguem dar melhor sabor aos produtos feitos à base de soja.

Já em 1986 os pesquisadores adquiriram vínculos com instituições estrangeiras, como o INTSOY " Internacional Soybean Program, da Universidade de Illinois (USA), o Jircas (Japan Internacional Research Center for Agriculture Science), e o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que estavam à frente das maiores inovações mundiais na área de utilização de soja. Essa troca de informações e resultados contribuiu para o avanço do projeto.

Em 1995, José Marcos Gontijo Mandarino coordenou a implantação, a partir do Embrapa Soja, do "Programa Soja na Mesa", que ampliava a atuação do projeto. Foram desenvolvidas receitas à base de soja e lançadas publicações que visavam ampliar uso do grão. Além disso, começou-se a prestar assessoria aos projetos municipais que produziam leite em vacas mecânicas (equipamentos que extraem líquido do grão de soja) e às indústrias processadoras de alimentos à base de soja.

Em 20 anos, a Embrapa Soja publicou 11 livros de receitas e outras publicações técnico-científicas, além de avaliar e lançar cultivares de soja com características especiais para a alimentação humana. Também foram organizados 351 cursos de culinária com total de 6300 pessoas treinadas. A equipe vencedora do prêmio orientou ainda trabalhos de 65 estudantes de graduação e pós-graduação. Foram realizados eventos técnico-científicos que trouxeram para o Brasil inovações na área de utilização de soja, como o I Simpósio Brasileiro sobre os Benefícios da Soja para a Saúde Humana, a IV "International Soybean Processing and Utilization Conference" e o Seminário Internacional Soja: Recurso Renovável para Usos Industriais Não Alimentares.

Além dos benefícios já comprovados, cientistas da área médica e de nutrição têm se interessado em estudar o papel das fibras de soja no controle da diabete porque elas desempenham importante papel na regulação dos níveis de glicose no sangue. Recentemente foi demonstrado que uma dieta rica em fibras solúveis (encontradas na soja) e com altos teores de carboidratos pode aumentar a sensibilidade à insulina, sendo, portanto eficaz no controle da diabete Tipo II. Entretanto, todas essas vantagens podem ser mais ou menos aproveitadas, dependendo da quantidade consumida, do tipo de alimento e da época da vida na qual se insere o grão na alimentação. Segundo os pesquisadores, quanto mais cedo se inicia a alimentação a base de soja melhor, pois doenças crônicas e degenerativas nascem no início da vida adulta.

A Embrapa Soja deu várias consultorias para a Prefeitura de Londrina, além de cursos e treinamentos para hotéis da cidade sobre o uso da soja na alimentação. Mas não há um controle de quais instituições utilizam a soja na alimentação. A única instituição da cidade que reconhecidamente a utiliza é a Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel). Nacionalmente, a soja é usada principalmente para ração animal e para produção de óleo de cozinha. O consumo direto da soja na alimentação tem crescido continuamente, devido ao aumento no número de empresas que utilizam a soja como matéria prima, em produtos como leite, sucos e biscoitos.

Créditos da foto:http://www.prosoya.pl/img/soja.jpg

Ano 5 - Edição 37 -10/05/2008










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