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 Reportagem

  18/05/2008
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Projeto da UEL mostra que o grafite está muito além da depredação

Professor de Psicologia estuda as marcas deixadas pelos alunos como manifestação no contexto escolar

Projeto da UEL mostra que o grafite está muito além da depredaçãoPauta e Edição: Vitor Oshiro
Reportagem: Bruna Komarchesqui



Desenhar ou escrever nas carteiras, paredes e portas da escola é uma prática muito comum entre estudantes de todas as idades e classes sociais. A atividade, encarada por algumas pessoas como depredação, foi tema de estudo do projeto de pesquisa "Grafite: Expressão dos alunos no contexto escolar". O trabalho é um desdobramento de pesquisas anteriores sobre pichação na cidade, feitas pelo professor João Batista Martins, coordenador do projeto, que é graduado em Psicologia pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e doutor em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), e trabalha no Departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Eu chamo de grafite todo o tipo de expressão, todo tipo de marca que os alunos deixam nas paredes, nas carteiras, nas portas, que vai do desenho aos escritos. Ou seja, é uma manifestação dos alunos no contexto da escola, especialmente, pelas marcas que eles deixam na estrutura física."
Durante quase um ano, três escolas públicas de diferentes regiões de Londrina (Centro, Zona Norte e Zona Oeste) foram visitadas pela equipe do projeto, que fotografou carteiras, cadeiras, paredes, portas, parapeitos de janelas e muros. São aproximadamente 600 fotografias que, como explica João Martins, dão "uma série de informações a respeito do universo juvenil, de aspectos da cultura juvenil que, muitas vezes, não são considerados dentro do contexto escolar". O objetivo foi mapear os temas mais abordados nas pichações e o tipo de diálogo que elas estabelecem entre si. "A idéia fundamental foi a de entender essa manifestação como uma forma de expressão, e não como uma depredação. Uma vez que toda ação expressa um sentido, podemos dizer que a depredação é uma forma de expressão, porque o aluno se expressa por meio dela. Cabe a nós buscar e identificar os sentidos que perpassam essa ação", defende.
Para ele, isso acontece porque a escola recebe um público bastante heterogêneo. "Existe uma pulsação no ambiente escolar, em função das diferenças, da idade, dos grupos. A escola coloca pano quente nessas diferenças, não escuta o que os jovens vivenciam. Por isso, um dos recursos que eles têm para se expressar dentro do contexto escolar, de maneira que sejam ouvidos, é a pichação", explica. João Martins conta ainda que os desenhos mais comuns estão relacionados a sexualidade, (muitas vezes reproduzem a nudez dos corpos feminino e masculino). "Isso nos leva a pensar que uma das demandas do jovem é essa curiosidade em relação a sua sexualidade."
Outros temas comuns nas pichações são de ordem cultural - expressão religiosa, disputa de grupos musicais, afirmação de lugar (um exemplo citado pelo professor é a freqüente pichação "100% Zona Norte"); outras fazem apologia à violência e ao uso de drogas. "Na medida em que não existe um lugar para colocar as dúvidas, angústias e ansiedades próprias da idade, o jovem utiliza um suporte para essa expressão. E o suporte é a parede, a carteira, o caderno." Para João Martins, mesmo em casos mais extremos, a repressão não faz sentido no ambiente escolar. "Se a direção entender a manifestação dos alunos como depredação, o encaminhamento que ela vai dar é chamar a polícia. Mas se ela entender isso como uma expressão do jovem, terá que procurar outra solução, que precisará ser construída em conjunto com a escola. Porque quando você coloca a polícia, você destrói o princípio básico da educação, que é a confiança", afirma.
Para o professor João Batista Martins, a solução seria perceber as diferenças existentes no ambiente escolar e, assim, propor intervenções mais apropriadas no processo educativo. "Não é evitar a pichação. É usar a pichação como uma fonte de diagnóstico para o que circula dentro do contexto escolar." Uma dica do professor é promover atividades que tenham a ver com o público atendido pela escola. Usar o hip hop, por exemplo, nas aulas de português, ou contratar grupos de rock ou rap formados pelos próprios alunos para tocar em eventos escolares, como feiras de ciências. "A escola só vai avançar e fazer o aluno se engajar em suas atividades, quando ele se sentir acolhido", conclui.

Crédito: Divulgação

Ano 5 - Edição 38 -18/05/2008



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